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OpiniãoPara reformar o Sistema Fiscal, Portugal precisa de uma Direita de corpo inteiro!

Uma das mais recentes medidas legislativas anunciadas pelo Governo consiste, grosso modo, na reforma do sistema fiscal aplicável aos imóveis. Proposta apresentada e logo em peso contestada pela oposição e outros. Não pretendo discutir a proposta em concreto, preferindo discutir em tese a utilidade da redução do peso da máquina fiscal no bolso dos portugueses.
Mas ouso perguntar: como é possível que, a possível diminuição da arrecadação de imposto, provoque todas as “cassandras do regime” e estas ousem exigir uma “compensação” pela perda de receitas!?! Mas recusem responder se, porquê e para quê se continua a precisar de tanta receita! Deveríamos começar por uma prévia demonstração do porquê e de quais as vantagens daquilo que se propõem concretizar, e quanto custa! Só depois se deveria calcular o montante de receita que o Estado necessita arrecadar! É pois importante, uma vez mais, contestar este “soberbo” argumento daqueles que acreditam que o dinheiro dos que investem e trabalham é do Estado! E não é!!! Bolas, o dinheiro é NOSSO!
5 min de leitura
Opinião Para reformar o Sistema Fiscal, Portugal precisa de uma Direita de corpo inteiro!

Por João Titta Maurício

Importa re-tornar claras as diferenças entre as “esquerdas” e a direita democrática, liberal e conservadora, para que cada um escolha o seu lado e saiba que princípios defender. Uma sociedade livre, governada com base nos princípios Conservadores, o Estado, ao dinheiro que ganhamos, aplica a taxa de imposto suficiente que lhe permita arrecadar o necessário para cumprir as funções que lhe são cometidas. E estas são apenas aquelas que só este pode executar ou este pode executar com maior eficácia. Já quando liderado pelas Esquerdas, afim de financiarem o parasitismo social (que patrocinam sob o disfarce de redistribuição de riqueza), o Estado julga-se no direito de, a seu belo-prazer, dispôr do nosso dinheiro, devolvendo-nos a porção que entende necessária para a nossa sobrevivência.
Impostos elevados, o descontrole das despesas públicas, e uma hiper-regulação da actividade económica são factores que contrariam a livre iniciativa e obstaculizam o desenvolvimento económico. E isso distingue-nos das “esquerdas”, que ao criarem governos burocráticos e dispendiosos, se veêm na necessidade de aplicar taxas de imposto mais elevadas. Assim, limitam-se a penalizar o sucesso, não estimulam o crescimento e o desenvolvimento económico, e não conseguem que a prosperidade seja alcançada por todos (nem tãopouco pela maioria).

Os partidos políticos existem para apresentar propostas que melhorem a vida da colectividade e de cada um dos seus membros, e que congreguem o máximo possível de eleitores. Servem para propôr ideiais e soluções, não para negociar posições! É um erro que, para evitar hostilizar potenciais aliados, se não apresentem soluções reformistas ou que se retalhem as propostas entretanto apresentadas: ou bem que se exerce o poder em obediência a um modelo com substância ideológica, ou então não se poderão evidenciar as diferenças (e as vantagens!) que resultam de um governo à direita. Um governo Conservador e de Direita só faz sentido (e só assim é útil ao país) se fôr politicamente sério e ideologicamente claro! E os Conservadores e a Direita, principalmente agora que exercem responsabilidades governativas partilhadas, tem que cumprir o seu papel! O papel de um governante não consiste em ser ideologicamente ora arrogante ora âmbiguo. Nem tampouco pode fazer cedências a exigências do “politicamente correcto”!
E, na hora da verdade, os seus líderes não podem titubear!

Os Conservadores e a Direita, em matéria fiscal, deveriam claramente afirmar que o Desenvolvimento Económico e as Políticas Fiscais são duas faces de uma mesma moeda: raramente um acontece sem o outro. O nível de fiscalidade que o contribuinte sofre em Portugal é de tal modo elevado que tolhe os movimentos a quem quer investir, desmotivando aqueles que querem enriquecer criando Riqueza através da criação de postos de trabalho.
Mais: o nível de impostos que são cobrados em Portugal torna o mercado português pouco competitivo e incapacita-o de atrair novos investimentos empresariais. É por isso urgente alterar este estado de coisas. Os Conservadores e a Direita deveriam propor a fixação progressiva de uma taxa única de IRC na ordem dos 15% – podendo ainda ser reduzida para as empresas que, de modo voluntário e expontâneo, assumam (individual ou colectivamente) responsabilidades de âmbito social para com os seus trabalhadores (por exemplo, através da criação e manutenção de Centros de Saúde, creches, centros de dia para antigos trabalhadores, etc.).
Mais radical seria a proposta em relação aos impostos que recaem sobre as familias. Os Conservadores e a Direita deveriam defender uma efectiva e real redução do IRS até à sua progressiva extinção (enquanto imposto directo sobre o rendimento) e a sua substituição por um único imposto indirecto que incida sobre o consumo. Este imposto teria uma taxa variável, a qual se basearia não no rendimento mas na natureza do bem ou serviço que é adquirido e assim, haveria uma taxa inferior para bens como medicamentos, livros, etc. e uma taxa superior para bens de luxo ou de recreação. Deste modo, as situações de fuga ilícita e lícita ao pagamento de impostos seriam reduzidas e a arrecadação fiscal maior e mais previsível. Assim se poderia alcançar uma mais justa Justiça Fiscal!

por: João Titta Maurício
Prof. Universitário e
Vice-Presidente da Distrital do CDS-PP/Setúbal
titamau@netcabo.pt

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