OpiniãoIts time to stiff the upper lip...

Por Jornal Rostos
Quem me conhece sabe da grande estima que nutro pela velha Albion. Não só por lá vivi algum tempo (menos do que gostaria, porém o suficiente para desenvolver e fortalecer a minha anglofilia), mas também porque cresci numa época em que a Inglaterra e a língua de Shakespeare eram profusamente usadas (e melhor tratadas) em excelentes séries televisivas. Quem se lembra, sabe como era possível ouvir inglês, e sentir alegria, raiva, dor sem que, obrigatoriamente, em cada frase, “f***” alternasse com “s***”.
Mas estou a desviar-me do objectivo a que me propus... mas fi-lo apenas para que fosse mais fácil compreender o porquê do título: os ingleses eram tidos como um povo nada emotivo, muito frio (gélido mesmo), que guardava os seus sentimentos. Todavia, foi assim que ergueram o mais poderoso dos impérios e a mais florescente das economias! O segredo? Nunca “chorar sobre o leite derramado” e, nas contrariedades, nada de derrotismo ou queixumes: resistiam orgulhosamente, levantando a cabeça e “stiffing the upper lip”!
Lembrei-me desta história como modo de ilustrar o comportamento que todos, como uma comunidade, deveríamos adoptar. É verdade que vivemos “tempos de chumbo”, mas que diabo, nem oito nem oitenta!!! A graça da vida existe para ser gozada e não perdida. Não obstante o domínio que, hodiernamente, certas notícias exercem nos media, a nossa vida colectiva não se resume nem aos sonhos das reportagens das “revistas côr-de-rosa”, nem ao sensacionalismo tablóiode que assaltou e domina até órgãos de comunicação tidos como de referência. Sabemos ser um povo dado a extremos: ou somos os “maiores do mundo e arredores” ou achamo-nos os mais desgraçados do universo!!!
Mas o pior não está em vivermos estes tempos de baixa-estima colectiva: o problema mais sério está em nós acreditarmos que o mundo gira à nossa volta e que todos estão, como nós, suspensos por toda esta profusão de casos que nos chocam. Desenganem-se: quando a questão foi a intervenção no Iraque, o mundo realmente estava como que imobilizado, porque centrado naquela questão! Mas não podemos achar que agora o mundo está como nós, voyeristicamente deliciado com a questão da “Casa Pia”, o “processo Moderna” ou o “caso Fátima Felgueiras”. Nesta altura, o que importa aos alemães é a sua difícil situação económica. Aos franceses interessa-lhes aquietar as relações com os EUA e, assim, ambicionar obter alguma fatia nos negócios futuros no Médio Oriente. Aos EUA e ao seu Presidente, o que importa agora é não perder na economia o que ganharam no Iraque (não esquecer que as eleições presidencias já estão aí à porta). E os 10 futuros novos estados-membros da EU a sua atenção está centrada no desafio que se lhes avizinha! Que têm que ganhar!! E que querem ganhar!!!
Alguém se recorda que as sondagens que feitas antes destes casos davam os agentes da Justiça (com excepção dos advogados) como as profissões mais competentes e mais confiáveis? Não acham estranho que só agora surjam vozes a levantar suspeitas?!? Os acontecimentos que avassaladoramente nos preocupam não são os nossos maiores problemas. Seriam se não tivéssemos uma magistratura séria, forças políciais competentes e eficazes e juízes acima de qualquer suspeita. Mas temos e essa é a nossa maior garantia. Deixemo-los trabalhar e fazer o que sabem, para o que foram treinados. São pessoas em quem sempre confiámos e em quem devemos acreditar... se mais não fazem ou fizeram tal deve-se a brincadeiras legislativas, com trabalhos feito à pressa e em cima do joelho! Foram esses factos que permitiram dramas como o das prescrições!
Trabalhemos nós também, pois os nossos verdadeiros problemas são a produtividade e a competividade que faltam na nossa economia; o ensino, a formação bem feita e as condições de vida e trabalho nas nossas escolas; a saúde e as reformas que estão a ser feitas. E os nossos filhos, os nossos cônjuges, os nossos amigos, a nossa vida... tudo isso está aí para ser fruído! Pois o tempo não pára e a felicidade não cai dos céus aos trambulhões!!!
E se, das notícias ora em voga, houver algum fundo de verdade ou se as investigações levarem a que se descubra mais “porcaria”..., paciência! Os culpados serão punidos e os portugueses, enquanto Povo, jamais com eles serão confundidos!
Porque há um país a levantar e um futuro a construír... levantemos a cabeça, e “stiff the upper lip”!!!
por João Titta Maurício
Prof. Universitário e
Vice-Presidente da Comissão Política Distrital do CDS-PP/Setúbal














