OpiniãoSoares, o extirpador...

Por Jornal Rostos
Convencionou apelidar-se este período de férias políticas como a silly season. Mas, depois de uma entrevista emitida no passado sábado, penso que falta um ’s, pois só numa silly’s season há espaço para boutades de quem já há muito sofre de uma galopante e irreversível senilidade política. Para esse peditório já dei!
Reacções “a quente” ficam mal a quem já ocupou os lugares que ocupou, envergonham quem neles votou e são uma “paulada” de mau-gosto na Democracia de que se auto-proclamou “pai”... Aquelas afirmações, por um lado, denunciam uma profunda incapacidade em reconhecer que o seu tempo político já passou (até que enfim!) e, por outro, confirmam a já conhecida tendência para, sempre que contrariado, agir como um “menino mimado” e mal-criado.
Possivelmente isto tudo só aconteceu porque não quiseram continuar a emprestar o brinquedo à “menina” e, simplesmente, não promoveram a sua não recondução... sim, não foi demitida: simplesmente acabou o seu tempo de mandato! É que o mesmo já tinha sido ensaiado quando o “maridinho” terminou o seu 2º mandato: se bem se recordam, tentou criar uma onda popular que conduzisse à alteração da Constituição para lhe permitir concorrer a um 3º!
Ou terá sido porque conquistaram o lugar ao “filhinho”, não obstante ter usado todos os “truques” que conhecia e recorrido a todos os meios e apoios que podia?!?...
Ou será apenas a P.D.I. que lhe está a revelar rancores e a tomar conta dos seus humores!?!
Porque será que agora saiu a terreiro para defender um militar que rasgou as sebentas da Academia e mandou “às malvas” todo o mínimo de respeito pela hierarquia (condição sine qua non para, dos seus subordinados, obter semelhante tratamento) e que, assim, é (ou coloca-se na posição de ser tido como) um instrumento ao serviço de interesses político-partidários pouco inocentes ou pios?!? Porque o faz ele? Julgará que somos tolos? E será ele o mesmo que, perante as câmaras de televisão, destratava oficiais militares da GNR?!?
Ele quer extirpar quem e o quê? Quererá extirpar da história e da memória dos portugueses as suas responsabilidades na “descolonização exemplar” e as suas consequências: as centenas de milhar de portugueses que desaguaram em Lisboa como refugiados de guerra; os milhões de mortos, os milhões de vidas perdidas, as inúmeras esperanças e sonhos destruídos em consequência de um cobarde abandono de responsabilidades. Ou quererá extirpar da sua consciência os soldados portugueses de origem africana que (alegadamente) um seu familiar entregou, para fuzilamento sumário, às mãos dos inimigos. Ou quererá fazer desaparecer dos manuais as suas constantes piruetas políticas que o levaram a dizer e a assinar o tudo e o seu contrário? Ou será para ver se nos esquecemos dos acordos de “Frente Popular”, com o PCP, em 1973 para compreendermos a “Fonte Luminosa” em 75? Ou quererá que olvidemos que escreveu que Timor, naturalmente, deveria ser parte integrante da Indonésia?
Quererá ele que nos esqueçamos? Julgará ele que queremos esquecer? Julgará sequer que podemos esquecer? As suas nódoas nem com ácido poderão ser apagadas da nossa história!
Em Democracia, o mais difícil não é ganhar eleições. Complicado é, com competência, exercer o poder! Porém, a verdadeira prova-de-fogo só surge quando é chegada a hora da retirada. Porque é difícil estar calado (não obstante a elasticidade mental já ter conhecido melhores dias)! Ou porque as saudades das mordomias e do “lambe-botismo” apenas nos recordam que do pó viemos e ao pó regressaremos!
Mas há o futuro. Um futuro que não vai ser o dele. E para o construír há uma nova geração de políticos, daqueles que para conseguirem o favor dos eleitores não lhes basta encher a boca e “bolsar” as palavras “mágicas”: sou de esquerda e fui um anti-fascista! Hoje há alternativas. Alternativas de qualidade, que respeitam, sabem respeitar e sabem fazer-se respeitar. Que decidem e não se limitam a opinar! Não têm a pretensão de ser donos da verdade, mas usam a força de uma convicção esclarecida! Esta é uma nova geração, que tem de trabalhar, de mostrar resultados... não lhes basta ser anti-fascista, malipular os media e “bater uma sorna” em cerimónias oficiais!
Em Democracia os tumores não são aqueles que governam no exercício de um mandato popular. O pior são aqueles tumores malignos (da pior espécie) que se acham mais legítimos que aqueles e se julgam tutores da Nação, procurando capturá-la para, como sempre fizeram, a porem “a render” ao serviço dos seus interesses particulares e egoístas!
por: João Titta Maurício
Prof. Universitário e
Vice-Presidente da Distrital do CDS-PP/Setúbal
titamau@netcabo.pt














