OpiniãoO regresso ao combate ideológico

Por Jornal Rostos
No passado sábado, decorreu no Algarve o jantar comemorativo do 29º aniversário do CDS-PP. Quase sempre como alvo dos mais variados e vis ataques, porém, sempre a lutar por aquilo em que acredita. Perseguido, a maior parte das vezes, por ter tido razão antes do tempo. O CDS-PP é um partido que resistiu, resiste e resistirá a tudo e a todos aqueles que não querem que a vontade dos nossos eleitores seja considerada. É verdade: não obstante os resultados eleitorais obtidos pelo CDS-PP, ainda há quem tenha a opinião de que não podemos exercer funções governativas, simplesmente porque ocupa a posição mais à direita do arco político-partidário português. Como se, para nós, não fosse um orgulho ser de direita!?!
O político que não pensa o que diz, não diz o que pensa e nem faz o que deve! Portugal precisa de políticos que saibam o que querem, porque o querem e que estejam dispostos a lutar por princípios e soluções coerentes com o que Portugal é e pode (e deve) ser...
Vivemos num mundo dominado pelo egoismo militante e corporativo, onde o interesse individual daquele que “berra” mais alto fixa o interesse do grupo, o qual (para eles) deve fazer vergar o interesse da Nação. A alternativa (até há pouco dominante) foi a cedência a esses interesses, adoptando, em nome do Estado, políticas as mais das vezes esparsas, inconsistentes e, por isso, quase sempre incoerentes. E só houve alguma (errada e nefasta) coerência quando a “vanguarda esclarecida” resolvia oferecer-nos a “libertação imposta” através da “implementação” do “inexistente sonhado” – normalmente não compatível com a verdadeira Realidade. E com essa atitude (a passagem à prática das suas “bondosas acções experimentalistas”), as esquerdas apenas conseguiram gerar acções de resistência por parte daqueles a quem se destinavam.
O grande problema acontece quando as esquerdas acedem ao Poder: com os tais desenhos milagrosos (fruto de idealismos, utopias, “inexistentes sonhados”) e com capacidade para os imporem a todos, apenas conseguem eliminar a tão acarinhada diversidade (que, no entanto, apenas é considerável quando cabe dentro dos limites do aceitável). E quando o “sonho” (tornado praxis de Estado) falha, porque o modelo foi imposto a toda a comunidade (e ao mesmo tempo), as suas opções erradas causam um dano a toda a comunidade (por vezes, em grau e profundidade irreversíveis). Ou seja, esse “inexistente sonhado” que só existe na mente da “vanguarda esclarecida”, por ter sido imposto a todos (e não voluntariamente e a um nível micro), não beneficia de “amortecedores sociais”: isto é, se falha um falham todos!
Para combater as esquerdas só com uma direita que o é, sabe porque o é e tem orgulho em o ser! Uma Direita que adopta como orientação os princípios e as virtudes defendidas pelo Liberalismo e o Conservadorismo modernos, que radicam no pensamento de Edmund Burke.
Uma Direita que se opõe ao Liberalismo continental e francófono adoptado pelos “canhotos”, e rejeita a transformação pela transformação e nega a validade da transformação patrocinada ou assistida pelo aparelho de Estado. Mas que aceita a mudança expontânea – não a patrocina, nem a impede (excepto quando imposta por grupos, no seu exclusivo interesse pessoal e quando coloquem em causa a liberdade de escolha e de autodeterminação individual ou colectiva).
Uma Direita que aceita a diferença e não permite a descriminação (seja ela positiva ou negativa), mas que desconfia e despreza todas as formas de utopia. Que preza e defende um Estado que reconheça e premeie o mérito e o esforço individuais, e que enfrenta o combate contra o desperdício social resultante de ínvios projectos de combate à pobreza.
Uma Direita que acredita no Estado-Nação (provavelmente, o melhor meio que a ingenuidade humana encontrou para conciliar a Liberdade com a Ordem Pública), que protege a Autoridade (pela sua necessidade enquanto “cimento” social), e que afirma que o Passado vale para o Futuro (pois somos o que fomos, não obstante, cada um de nós, não poder ser impedido de sonhar um melhor amanhã). Neste mundo de confusão de “pseudo moralidades concorrentes”, de cepticismo e por muito conflituantes e azedas que possam ser os debates com as esquerdas, ninguém seriamente nega que a Direita incorpora um sentido de Moral e Ética, e que na política buscam fazer as coisas certas, e que as virtudes cristãs, que professa e defende, são tidas como deveres do ideal de comportamento individual que aspiram alcançar.
Acima de tudo, uma Direita que reafirma o primado da vida humana e a validade dos padrões de Virtude que recebemos da Família, da Nação e da Igreja, e que acredita que vale a pena crer e professar a Fé que nos foi transmitida, pois só quando partimos com honestos propósitos morais, podemos almejar bem-fazer. Pois muitos dos problemas e dilemas pessoais que hodiernamente são enfrentados pelas sociedades ocidentais foram gerados pelo modo “criativo” e “torcido” de (des)governar à esquerda.
Uma Direita que defende que o Estado ocidental não pode (nem deve) ser indiferente ou neutro perante as crenças morais dos seus cidadãos, as quais assentam em pilares gerados pelo cristianismo: é seu dever positivo proteger essas fundações, principalmente através de políticas a aplicar pelo sistema educativo, as quais não podem assentar na ilusão de que existem objectividade e neutralidade éticas. Porque esse código cristão de virtudes é bem válido, por isso, não se pode aceitar que a Direita actue na vida política de modo embaraçado, na defensiva, envergonhados com o passado, incapazes de convencerem os outros (e a si próprios) da bondade dos seus propósitos, soluções e acções. Passam a eternamente pedir desculpa por pensarem de acordo com um vetusto e testado código ético, e, por isso, pensando melhor, pensarem diferente.
As esquerdas são permanentemente alvo de justas críticas. Porém, sempre conseguem que a comunicação social (que na sua maioria lhes é favorável) os defenda e justifique. Pelo contrário, a Direita e os Conservadores, quando descontentes, parecem alianígenas, seres do espaço sideral que apenas falam consigo próprios.
É preciso mudar e é possível mudar!
Cabe à Direita e aos Conservadores, sem medos, com clareza e sem tibieza, assumirem a liderança dessa mudança. Que é sentida, que é desejada, que é necessária, que é possível! Devemos apresentar as ideias em que acreditamos e o modelo que defendemos para o governo da polis. Quando se apresentam soluções desprovidas de substracto ideológico, das três uma: ou há uma amálgama internamente incoerente; ou um subproduto sem força reformista que apenas propõe “mais do mesmo”; ou há cobardia política, com cedência ao politicamente correcto, e esconde-se a fonte para tornar a “coisa” num produto mediaticamente consumível. Para se pensar à direita (ou à esquerda) podem e devem dispensar-se expressões ou elementos ético-valorativos. Todavia, não acredito em neutralidades morais ou apartidarismos, e muito menos em propostas de “uniões-nacionais” fora de prazo: a discussão ideológica baseada num (suposto) purismo ético alicerçado no monopólio da Verdade é não só inconsequente mas (sobretudo) é uma falsidade. Não ouso transferir o privilégio da bondade, nem sequer afirmar que a Direita goza de uma superioridade ética face às esquerdas, antes quero recordar que a dicotomia existe e a Direita é, como solução, mais eficaz nos resultados e melhor adequada à natureza humana.
As esquerdas podem até produzir bons poetas. Podem até fazer-nos sonhar! Mas cada vez que os sonhos sonhos são levados à prática ultrapassam os mais terríveis pesadelos. A natureza humana é o que é, e não acredito que a evolução tecnológica possa ultrapassar essa barreira. Nem tampouco desejo que tal se possa conseguir!
Estes são meios e os propósitos das esquerdas. E aquilo em que acreditam. Recusar reconhecer isto, em nome de uma suposta indiferenciação política, é cegueira, cobardia ou conveniência! E que não enobrece ninguém, principalmente a quem sempre se afirmou da Direita...
por: João Titta Maurício
Prof. Universitário e
Vice-Presidente da Distrital do CDS-PP/Setúbal
titamau@netcabo.pt














