Saltar para o conteúdo
Quotidianos

CONVÍVIOS AMADORES SÃO CANCELADOS EM PORTUGAL PELA FPAKLAMENTAMOS INFORMÁ-LO...
...MAS O KARTING VAI MORRER!
Por Carlos Romeira

A bomba que se temia estourar a qualquer momento, rebentou! Pensou-se que no ano de todas as decisões, a FPAK iria olhar finalmente para o grosso da massa de praticantes de Karting em Portugal, apoiando os convívios de lazer que ocupam um papel importante no desenvolvimento do Karting. Depois de se publicitar medidas importantes a tomar na próxima época, a realidade veio a revelar-se bastante diferente
6 min de leitura

Por Jornal Rostos

Depois de tanta propaganda em redor da Reunião da FPAK, do passado dia 22 de Setembro, os protagonistas das provas de lazer pensaram que tudo poderia acontecer: que a FPAK iria olhar finalmente para o grosso da massa de praticantes de Karting em Portugal, e apoiar os convívios de lazer; pensou-se que a FPAK os continuaria a ignorar, mas nunca iria ousar proibir ou impedir esses eventos de salutar convivio desportivo; pensou-se inclusive, estes os mais optimistas, que a própria Federação, a exemplo de outras Federações homólogas no estrangeiro, iria tomar a iniciativa de promover este tipo de eventos, ou pelo menos apoiá-los, pois constituem
uma importante fonte de futuros praticantes, e pilotos.

No entanto, o comunicado nº 87, da FPAK, relativo ao Karting, nada falava desta vertente, que para a maioria desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da modalidade. Até mesmo as medidas a nível do CNK (Campeonato Nacional de Karting), e outras provas do calendário, são alvo de dura crítica por parte de pilotos, equipas e entidades. Mas em relação ao lazer... nada. A realidade em Portugal é bem evidente: este fenómeno a que se poderá chamar “Movimento Pirata do Karting”, tem vindo a assegurar a continuação da modalidade. Ou se calhar a adiar o seu fim. A FPAK, não se sabendo muito bem por parte de quem, tem vindo a “despromover” o Nacional a pouco e pouco, e finalmente parece decidida a cortar o mal pela raíz, acabando com este movimento, sem se atrever a torná-lo reconhecido e legal. Esta tem sido a principal fonte de rendimento dos kartódromos, possibilitando a construção das infraestruturas invejáveis que temos em Portugal. E nem foi necessário o apoio do governo, como no caso dos 10 estádios do Euro. Até os espanhóis que nos visitam regularmente (que o digam os responsáveis do kartódromo de Viana), invejam as nossas condições. As nossas pistas são extraordinárias, melhores que as do país vizinho e da maioria do resto da Europa. Mas parece que já não se precisa de mais pistas, nem de mais rendimentos produzidos pelo karting. Numa altura de dificuldades económicas, impedir esta grande fonte de receita, precipitará a falência de muitos kartódromos, pois não se imagina poderem viver de um CNK abandonado. Assim sendo, quem iria tomar conta de tantas pistas abandonadas? A FPAK? Para fazer que provas? Com que pilotos?

O que aconteceu neste fim de semana, e se adivinha vir a repetir-se mais vezes, é inconcebível. A FPAK impediu alguns desses grupos de amigos, que realizam os populares e tão bem conhecidos convívios, animando todos os fins de semana as pistas nacionais. A técnica é simples: ignorar esses grupos, mas ameaçar as pistas com o retirar das respectivas homologações, caso elas se viessem a realizar. Assim, impedem-se as ditas “organizações piratas”, sem contudo lhes passar confiança. Não se conhece o critério desta atitude, pois não é abrangente a todos. E a Federação quando contactada, pelas “vítimas”, perguntando acerca desta dualidade de critérios, apenas alega desconhecer os outros eventos realizados, o que é mentira. Até porque muitos deles são disputados por várias entidades desportivas, grupos oficiais, funcionários da própria FPAK, orgãos de comunicação social conhecidos, e até promovidos por marcas e Empresas que financiam o desporto automóvel no país. Além disso, são bastante mediatizados e divulgados. Há Troféus amadores que fazem mais pela divulgação e credibilização do karting num dia que a FPAK numa época inteira. Se se começa a impedir este tipo de eventos, ainda vamos assistir a situações caricatas. Será que se algum dia o Estoril voltar a receber o GP de F1, os mecânicos das equipas que habitualmente realizam uma prova de karting entre si, sujeitam-se a serem impedidos do o fazer!... porque nas cabeças da FPAK, basta haver classificações e tomada de tempos, etc. etc. para tal não poder acontecer... excepto... se pagarem, claro! O valor a pagar é que é o problema...

Tem que se reflectir acerca do peso que estas atitudes poderão vir a ter no futuro da modalidade. Não se podem invocar regulamentos que já deveriam ter sido revistos há muito tempo. Nem abusar de uma autoridade ou poder que se detém. Uma Federação que prevê no seu orçamento anual verbas provenientes de multas aplicadas, reflecte uma atitude demasiado coerciva, o que compromete possibilidades de diálogo e bom entendimento. Em vez de pedagógicas, as multas tornam-se revoltantes. Além disso, se essas receitas se tornarem abaixo das expectativas (ou seja, se todas as entidades e pilotos decidirem cumprir os regulamentos e portarem-se com desportivismo e lealdade) proporcionar-se-á uma tentativa de “caça à multa”.

Não é vontade dos pilotos, praticantes e organizadores (ou animadores dos grupos de amigos), continuarem a promover o karting duma forma pirata. No entanto, as alternativas da FPAK são incomportáveis, pois provou-se na prática, que com custos tão altos, a nível de licenças, homologações e taxas, as provas de lazer destinar-se-iam a seguir o exemplo do CNK, ou seja, ficar às moscas. A FPAK, nunca poderá alegar que desconhece esta boa vontade dos organizadores, em legalizar as coisas, ou mesmo a existência destes troféus e provas, que representam um número bastante expressivo durante todos os fins de semana, sem excepção, sendo pública a preocupação da maioria dos grupos com a segurança, com a qualidade desportiva dos eventos, organização e divulgação mediática, bem como a sua regulamentação técnica.

Neste momento, alguns vão desistindo, outros vão encontrando truques para superar esta contrariedade. Mas há quem se recuse a fazer uso de truques para contornar um regulamento e uma Federação que impede o que deveria ser de direito num país democrático como Portugal. Mas a revolução dos cravos não chegou a certos locais, e no karting, tudo tem que ser feito na clandestinidade, escondendo divulgações, escondendo folhas de resultados, escondendo comentários. Não assumindo ideias e comentários. Parece que todos têm medo da FPAK, esquecendo-se que quem não deve não teme. Uma instituição de utilidade pública, que recebe verbas estatais e é sustentada por taxas pagas pelos seus utentes, é para servir. E servir bem se possível, não para ser servida e venerada.

Parece que, caso não haja união entre os amantes do karting, não se conseguirá definitivamente, modificar esta tendência. Assim, resta-nos anunciar o seguinte: O Karting Português vai morrer. E já tem muito pouco tempo de vida!

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção