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Quotidianos

Jorge Cardoso: porque sim

António Lobo Antunes escreveu uma vez, dando a cara por uma coligação partidária, que, entre outras razões, a apoiava “porque sim”.
2 min de leitura

Por Jornal Rostos

Parafraseei para mim própria, na tarde de 23 de Novembro, o escritor ilustre quando, na homenagem que a Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense fez a Jorge Cardoso, na 4ª Mostra de Teatro do Lavradio, pen-sei: gosto dele “porque sim”. Porque...
Porque sim: Jorge Cardoso não foi meu companheiro de infância (é, felizmente, bem mais novo do que eu), não é colega de profissão, raramente o encontro fora do meio teatral mas é das figuras da nossa cidade que admiro. Porque junta as qualidades de Homem (filho, marido, pai, amigo, profissional exemplar) às de artista (um dos fundadores e encenador há quase duas décadas e meia, do Arteviva, companhia que, na síntese da tradição, ousadia e beleza de muitas realizações, é uma referência barreirense e dos muitos amantes de teatro em qualquer ponto do país).
Gosto do Jorge Cardoso pelo que já expressei, também pela verticalidade das pessoas que formam o Arteviva, pela lanheza de trato, pelas interacções positivas que estabelecem entre elas e o público. Que poderiam ser ponto de partida de formação no âmbito das artes de palco e motivo de reflexão, investigação e práticas levadas a cabo nessa área.
Ouvi, na SFAL, tantas “coisas bonitas” – expressão cara ao (Dr.) Artur Jorge, uma e outro lá citados a comprovarem que o homem do futebol, poesia e coragem cívica não está esquecido – que nem consegui levantar-me da cadeira para reiterá-las, o que faço neste espaço.
E já agora sugiro-lhe, caro (a) leitor (a), na continuação de um abraço a Jorge Cardoso, a ida ao teatro Municipal, em comunhão com Garcia Lorca e A Casa de Bernarda Alba, com encenação na qual se destacam os saberes, sentido estético e afectos de Onivaldo Dutra e Marco Mascarenhas, as funções técnicas competentes e seguras e os desempenhos inesquecíveis de dezassete mulheres (das quais saliento, pela admiração que há muito me suscitam, por ordem alfabética, Célia Figueira, Maria Cavaco e Maria Matos e trago as outras à colação, segundo o programa: Ana Lúcia, Joana Pimpista, Carla Geraldo, Genoveva Pimpista, Rita Conduto, Isabel Ribeiro, Irene Rijo, Helena Cruz, Sara Santinho, Susana Marcelino, Ana Macedo) que honram o género feminino, a nossa cultura, a actividade artística, o trabalho de grupo feito de sacrifícios, paixão e beleza.
Jorge Cardoso: porque sim.

Manuela Fonseca

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