ARY DOS SANTOS: um homem para a eternidade

Por Jornal Rostos
Em 1966, Fred Zinnemann, cineasta norte-americano de craveira elevada, deu-nos o inesquecível “Um homem para a eternidade”, filme que nos apresentou Thomas More, muito corajoso no desafio às ilegalidades e injustiças cometidas por Henrique VIII, Rei de Inglaterra.
Um homem para a eternidade que tu, Ary, também és: pela ousadia politicamente incorrecta que trouxeste à vida portuguesa, por falares do povo que tanto amaste e cujas lutas e carências tão bem cantaste, por seres inexcedível na interpretação dos teus próprios poemas, por dares voz e cor garrida às minorias sexuais numa terra onde a Inquisição e a Censura fizeram, infelizmente, história.
Tu, Ary, vigoroso poeta de Abril cujas palavras não esqueceremos: elas serão passadas de mães e pais para filhos, saudosa, amorosa e revoltosamente nestes tempos conturbados em que poucos, de novo, têm grandes proventos à custa dos sacrifícios de muitos.
E é em momentos difíceis como os de agora que nos dás alento para continuarmos a exigir um Portugal de Abril, um Portugal mais fraterno, um Portugal onde alguns homens não sejam lobos mas apenas… homens.
E é em momentos difíceis como os de agora que me apetece citar-te:
“Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar de muitíssimas maneiras.”
Navegaremos. Contigo, um homem para a eternidade.
E.S.E. de Setúbal
Janeiro 04
Manuela Fonseca














