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Quotidianos

Obrigada, Miki

Pertenço ao grupo de intelectuais que assume interesse pelo futebol. O amor à modalidade nunca me afastou de convicções sociais e políticas, crenças ou facetas da vida familiar e profissional. O futebol ajudou-me a crescer, tal como o teatro, actividades a que me habituei desde a infância. Um dia encontrei um texto de Luís de Sttau Monteiro que pensei escrito para mim e do qual respigo: “o futebol interessa-me como espectáculo e como jogo. O início dum desafio tem para mim um interesse muito semelhante ao que tem o subir do pano num teatro quando uma peça me interessa”.
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Por Jornal Rostos

O teatro e o futebol são duas das interpretações que tenho para a passagem que faço por aqui, que não sei imaginar sem eles. Por coincidência um dos meus filhos nasceu há vinte anos, exactamente no dia de aniversário de Eusébio (como ouvi a uma enfermeira na maternidade, tinha o rapaz minutos). E fazíamos no dia 25, a festa de andar por cá há duas décadas quando o Miki caiu para sempre no estádio D. Afonso Henriques. O mesmo jovem que o meu filho mais velho e eu tínhamos visto de relance no estádio da Luz quando ele e nós nos preparávamos para assistir ao Portugal- Hungria “AA”, em 9 de Outubro de 1999, jogo que nos conduziu ao “Europeu” de 2000.

Fehér deixou-nos no domingo. Certamente como muitas outras pessoas, tantas delas jovens como ele, sem a sua força mediática. Deixou-nos quando, no trabalho, nos interessava e emocionava.
Obrigada, Miki, pelo sorriso com que cativaste muitos portugueses e que te acompanhou até ao ultimo minuto.

Manuela Fonseca

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