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Quotidianos

Basta de apagada e vil tristeza!

Numa das minhas costumeiras insónias, liguei a televisão. Um pouco de zapping, e parei para assistir à transmissão de uma partida de ténis. Sempre o considerei um desporto extraordinariamente exigente. Mas dos mais estimulantes e educativos. Poucas actividades lúdicas nos dão um vislumbre tão próximo do que a Vida é, e que se adeque aos desafios com que esta recorrentemente nos confronta. Então interroguei-me: será que a nossa desmedida paixão pelo pontapé na bola é uma das causas da nossa “apagada e vil tristeza”? E quais poderiam ser as consequências se adptássemos a filosofia, o modo de estar típico do ténis?
4 min de leitura

Por Jornal Rostos

Entre nós, como no futebol, reina a mentalidade “empreguista”: o dever resume-se ao mero cumprimento do horário. Pouco importam os resultados. Vigora o “deixa-andar”. Impera a mentalidade do “desenrascanço”: é “deixar levar a coisa”, acreditando que, no final, a Fortuna nos sorrirá. Acredita-se que sem essas “chatices” chamadas trabalho e esforço se podem alcançar vitórias: basta um pouco de “ferrolho”, umas “faltinhas cirúrgicas” e, no final, o “penaltizinho” do costume. E “Empatar” o serviço nem é defeito: é o procedimento adequado para, tranquilamente, se progredir na carreira.
Já no ténis, como o resultado nunca é um empate, sabe-se que só há vitória ou derrota. Que dificilmente acontecem por acaso. Os erros do árbitro diluiem-se no decurso da partida. E jogar à defesa exige muito treino, muita destreza: é um processo táctico e não o recurso dos fracos! O anti-jogo, recurso dos incompetentes, não compensa! Premeia-se a excelência aliada ao esforço. Como na Vida, cada “ponto” está à nossa disposição. Ganhá-lo depende da iniciativa e da capacidade de superar os obstáculos. A vitória não se alcança com um fugaz esforço, mas é o prémio por uma dedicação duradoura. E a conquista obedece sempre a métodos diferentes porque diferentes são as dificuldades que se colocam. Como diferentes são os ganhos. Uma coisa é certa: não caem das árvores!

Rejeitem-se as razões simplistas sobre as causas das diferenças entre os países pobres e os países ricos.
Não é a idade do país, pois, apesar de serem o presente de culturas com mais de 2000 anos, a Índia e o Egipto são pobres. Já Canadá, Austrália ou Nova Zelândia, que há menos de 150 anos eram países inexpressivos, têm hoje ricas e desenvolvidas economias.
Nem sequer os recursos naturais disponíveis: o Japão, com um território limitado, 80% composto por montanhas, inadequado para a agricultura ou criação de gado, que importa quase toda a matéria-prima, não obstante, é a segunda economia mundial. E a Suíça, que cria animais e cultiva o solo de um pequeno território apenas durante quatro meses por ano, todavia, fabrica laticínios da melhor qualidade. Nela não se planta cacau, mas é de lá o melhor chocolate do mundo. E a imagem de Segurança, Ordem e Trabalho transformou-a na “cofre do mundo”.
Por outro lado, executivos dos países ricos facilmente se relacionam com os seus pares dos países pobres. O que demonstra não haver uma significativa diferença intelectual, e que raça ou côr da pele não são determinantes. E os imigrantes, que nos seus países de origem são rotulados de preguiçosos, são uma significativa e eficaz força produtiva nos países ricos.
Qual é então a diferença?!?
A pobreza de um país é consequência da atitude das pessoas. É o produto deformadamente moldado pela ”educação” e “cultura” de laxismo praticada ao longo de séculos. Numa análise séria à conduta dos que vivem e operam nos países ricos e desenvolvidos, constatamos que, a grande maioria, segue os seguintes princípios de vida:
1. a Ética, como princípio básico;
2. a Integridade;
3. a Responsabilidade;
4. o Respeito pelas leis e regulamentos;
5. o Respeito pelos direitos dos demais cidadãos;
6. o amor ao Trabalho;
7. o esforço pela poupança e pelo investimento;
8. o desejo de Superação;
9. a Pontualidade.
Nos países pobres, apenas uma minoria segue esses princípios básicos na sua vida diária.
A razão da nossa “sina” não reside na falta de recursos naturais. Nem sequer se pode afirmar que a Natureza haja sido cruel conosco... Somos pobres porque nos falta Atitude!!! Falta-nos a Vontade para cumprir e ensinar os princípios de funcionamento seguidos nas sociedades ricas e desenvolvidas.

Quem ama Portugal, e quer participar numa séria reflexão sobre o nosso futuro colectivo sabe que o caminho é o do trabalho e do esforço premiado. Quem acha que a solução é manter os “privilégios que Abril pariu”, pode continuar com as greves. De greve em greve até a última empresa implodir. Talvez aí se decidam a trabalhar!

* titamau@netcabo.pt
Prof. Universitário
e vice-Presidente da CPD do CDS-PP/Setúbal

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