Fado CorridoMEIOS DE EXCITAÇÃO SOCIAL
que vendem mais, perguntava-se há dias se podemos ter esperança no advento de uma comunicação social responsável. Muita gente mais se interroga da mesma forma, apontando mil saídas, ou dizendo que não há saída, porque o mercado é assim e pronto. Os optimistas, e outras pessoas de boa vontade, querem acreditar que tudo se resolveria se os leitores fossem mais
exigentes, mais selectivos e mais corajosos, nomeadamente repudiando sem hesitações toda a fancaria mediática. Adiantam muitos que é tudo uma questão de cultura, mas a meu ver é apenas de instrução e de bons hábitos, porque cultura é ela muita, só que enjoativa, carregada de lixo, ruído e ilusão, o que não deixa em momento algum justificação para perorar contra a
responsabilidade ou a irresponsabilidade dos jornalistas e as publicações por onde andam assalariados.
Por Jornal Rostos
Vivendo nós numa sociedade onde tudo é de
comprar e de vender, sujeitos à vontade implacável de um ser invisível, mas
omnisciente, omnipresente e omnipotente, chamado mercado, não deveríamos
esperar que a comunicação social fosse uma excepção, uma virgem isenta de
lucro. É do lucro e para o lucro que ela vive, e quem ali não estiver bem
que se mude. A responsabilidade dos media é a de cuidar do sono sossegado
dos adormecidos, que aliás não querem sequer acordar. Ai de quem os
perturbe, que está feito! Se nas escolas se procura castrar toda a
inteligência, pela comunicação social procura-se aferir se o resultado foi
bom e condicionar os exércitos de castrados para o exercício do pronto a
bolsar (que os castrados chamam de opinião) e pôr as massas em filas
ordeiras e direitinhas aos centros comerciais, onde vão rezar ao novo Deus
que lhes impuseram, de que tanto gostam e a quem tudo sacrificam. Mais do
que comunicação social a coisa é sobretudo comunicação de massas; de certo
modo é de armas de destruição massiva que se fala, algo de destruidor da
inteligência e bem mais eficiente até que a própria escola cujos resultados
afere. Como meios de excitação social, como apelo aos instintos mais
primários, a tabloidização geral em curso é assim porque não pode ser de
outra maneira, não apenas porque os castrados não querem nem merecem, mas
porque os detentores dos meios de masturbação e adestramento em apreço são
indústria e não associações de beneficência. Assim, é pelo lucro que se
justificam e é por servirem a ordem que está que se entendem. Tudo o mais é
culto ao Pai Natal, que foi uma feliz invenção dessa espécie de solarine
chamada de cocacola.
abdul.cadre














