O outro 25 de AbrilPor João Medeiros
Por Jornal Rostos
Em tempo de aniversário do 25 de Abril, é da praxe as figuras gradas da política virem relatar na grande imprensa as suas recordações, e oferecerem-nos as suas análises e palpites, em que raramente falta a condenação da “anarquia”, da “desordem” e das “tentações totalitárias da esquerda”, a que o golpe militar de 25 de Novembro pôs termo, repondo os “sãos ideais da revolução de Abril”.
Algumas ideias-chave
A grande tragédia do 25 de Abril foi a falta de uma organização revolucionária consolidada e reconhecida, capaz de fazer crescer o movimento de uma forma organizada a caminho de um objectivo bem definido, apoiado nas comissões, nos órgãos de vontade popular. Não fomos capazes de seguir a experiência da revolução de Outubro, em que a grande força do partido bolchevique foi saber apoiar-se no tremendo impulso dos sovietes.
A crise revolucionária não foi levada até ao fim. Com a queda da ditadura provocada pelo golpe militar, abriu-se uma janela que o movimento popular aproveitou para impor as suas reivindicações imediatas, fazer ocupações, criar a autogestão, etc. Mas isto não pode ser confundido com a emancipação dos trabalhadores, eles não ganharam o poder. Por isso, todas as estruturas que o movimento revolucionário tinha criado foram facilmente desfeitas. Não tivemos força para impedir que, desde então, os governos, mais à direita ou mais à “esquerda”, vão cortando tudo o que ainda sobejava das conquistas. Todos eles querem ajustar contas com o 25 de Abril, é uma vingança de classe.
A acumulação revolucionária de forças é manter os olhos postos nas nossas referências - a revolução, uma sociedade livre da exploração, o socialismo - e saber agir no dia-a-dia no anti-sistema, em todas as frentes de luta, manter acesa a discussão, marcar a agenda política com iniciativas constantes.
Mas há que romper com o defensismo que se entranhou na esquerda, como se a mundialização tivesse sido inventada pelo Capital. Não foi Marx o primeiro a dizer “Proletários de todos os países, uni-vos”? A resposta que se está a dar à globalização traz jovens à luta, mas um movimento orientado só para o fim do neoliberalismo vai bater com a cabeça na parede. Os governos estão-se marimbando para as moções dos Fóruns. Sem pôr em causa o sistema capitalista não há verdadeira alternativa. Esse é o defeito da esquerda que temos.
É preciso uma outra esquerda, que ROMPA COM O SISTEMA, ponha o capitalismo em xeque, uma verdadeira ESQUERDA COMUNISTA, que aponte claramente para o objectivo final da luta de todos os explorados - O SOCIALISMO.
João Medeiros
Economista/Professor do Ensino Secundário.














