TRIBUNAL INTERNACIONAL SOBRE O IRAQUE
Sessão inaugural decorreu em Bruxelas entre 14 e 17 de Abril com presença portuguesa
Por Jornal Rostos
Nos próximos dias 14 e 15 de Maio decorre em Roma uma reunião de organizações promotoras do World Tribunal on Iraq com vista a decidir as iniciativas que serão tomadas em diversos países até à sessão final que terá lugar em Istambul em 20 de Março de 2005, data do segundo aniversário da invasão do Iraque pelas forças dos EUA e da Grã-Bretanha.
O arranque do WTI teve lugar de 14 a 17 de Abril, em Bruxelas, onde decorreu o BRussells Tribunal, sob o lema People vs Total War Incorporated (consultar www.brusselstribunal.org). Centenas de pessoas de diversas nacionalidades assistiram, ao longo de quatro dias, às sessões de depoimentos e à leitura do veredicto. Estiveram presentes representantes de organizações dos EUA, da Alemanha, do Japão, da Suécia, da Itália, de Espanha, da Bélgica, da Turquia, do Iraque e de Portugal.
Em 8 de Maio decorreu em Nova Iorque uma segunda sessão do WTI.
Na tradição do Tribunal Russell para o Vietname, cuja acção em 1967 teve forte impacte na opinião pública internacional, o BRussells Tribunal denunciou os laços entre o programa dos neoconservadores norte-americanos, hoje presentes em peso na Administração Bush, e a agressão ao Iraque.
Fizeram parte do júri e prestaram depoimentos figuras como os egípcios Samir Amin e Nawal al Saadawi, o irlandês Denis Haliday e o alemão Hans von Sponeck (ex-responsáveis da ONU para a ajuda humanitária ao Iraque durante os anos 90), os professores belgas François Houtard (que presidiu ao júri) e Jean Bricmont, os norte-americanos Michael Parenti e Sara Flounders (do International Action Center, fundado por Ramsey Clark, que enviou um testemunho vídeo-gravado), os iraquianos Haifa Zangana, Sabah al Mukhtar e Al Bayati, membros de grupos de oposição ao regime de Saddam Hussein e que agora integram a resistência à ocupação.
No final de dois dias de depoimentos, o Tribunal emitiu uma declaração (ver Declaração Final do Tribunal de Bruxelas) em que condena a agressão imperialista norte-americana e britânica, exige o fim da ocupação, expressa total solidariedade com o povo iraquiano na sua luta para recuperar a plena soberania e apela aos povos do mundo para exigirem dos seus governos a renúncia a qualquer apoio às forças de ocupação.
Decorrem neste momento, em Portugal, entre sectores de opositores à agressão imperialista, contactos no sentido de promover no nosso país uma sessão do WTI visando inculpar o governo português pela cumplicidade nos crimes cometidos pelos EUA e pela Grã-Bretanha na invasão e ocupação do Iraque – cumplicidade essa traduzida em apoio político e diplomático, na cedência da base militar das Lajes e no envio de forças da GNR.
SAI – Solidariedade Anti Imperialista
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