A ESQUERDA EM CAMPANHA
Por Jornal Rostos
Vocação errada – Situação caricata na campanha da CDU em Setúbal: depois de ter falado, em Palmela, para 200 pequenos e médios empresários que se juntaram para a ouvir, Ilda Figueiredo deparou-se, à porta da Autoeuropa, com reacções de desinteresse e frieza dos operários em mudança de turno.
“Coragem social” – O BE, para mostrar que é “a esquerda da esquerda”, desdobrou-se em propostas “avançadas”: “Levar para a Europa a coragem social que lhe tem faltado”, “canalizar o investimento público para a criação de empregos”, “contrapor à Europa dos grandes a Europa dos cidadãos”, “reabrir um verdadeiro processo constituinte, livre e democrático”, “reforço dos poderes do Parlamento Europeu”, “renúncia à corrida aos armamentos”, “fim das privatizações que submetem os seviços públicos ao critério do lucro”, “reconhecimento dos direitos sociais e políticos dos imigrantes”, “impostos sobre o capital”, “uma Europa que cuide do ambiente”...
Mas, quanto mais multiplica as reivindicações, mais ressalta a única questão ausente: podem os deputados do PE mudar algo? Ou vão ser figurantes numa farsa? Se a UE, como grande empreendimento capitalista, não é reformável, como sublinha, com razão um dirigente do BE, João Pascoal, na Ruptura de Maio, a tarefa da esquerda é desmascarar a fraude, ou jogar o jogo com propostas fantasistas?
Tropa – Respondendo a um inquérito sobre a força militar da UE, Ilda Figueiredo disse o mínimo que se poderia exigir: “O PCP está preocupado com a crescente militarização da União... com o alinhamento com a NATO e com os EUA... O PCP rejeita uma UE que vise tornar-se um bloco político-militar”. A precaução com que escreveu “que vise tornar-se” (?!) é típica dos panos quentes do PCP. Mas vejamos como responde Miguel Portas ao mesmo inquérito: “A defesa ou é comum ou não é. Portugal, ainda que privilegiando uma identidade europeia de defesa e segurança, não deve aceitar que outros partam a União ensaiando uma geometria variável neste domínio. O primado da defesa colectiva e a expressão da identidade civilista da Europa devem ser assumidas igualmente por todos os Estados-membros”. (Transcrevi na íntegra do Público de 2/6, sublinhado meu). Pelo meio destas tiradas eurocráticas, está perfeitamente expressa a aceitação da “identidade europeia de defesa e segurança”.
Lorpa – Quando Durão desafiou os partidos da oposição a declararem se irão trabalhar em conjunto com os eurodeputados da coligação de direita “na defesa dos interesses do país”, Carvalhas não encontrou nada melhor para responder do que lembrar-lhe tolamente “os elogios que Cavaco Silva, Guterres, Deus Pinheiro e vários outros comissários fizeram ao trabalho do PCP”. A tanto chega a ânsia de ser aceite como “responsável”.
A meta – Em Salvaterra, interrogado pelos jornalistas sobre a perspectiva de Louçã vir a fazer parte de um governo liderado pelo PS, responde Miguel Portas: “Isso ainda vem longe, para quê estar já a falar disso?” Não diz que o Bloco não tenciona entrar em qualquer governo PS; pelo contrário, confirma implicitamente o interesse em consegui-lo.














