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Quotidianos

Foi uma vitória de “Pirro”, Rodrigues!por João Titta Maurício *

As eleições para o Parlamento Europeu saldaram-se numa vitória do PS.
Mas, justificar-se-à que se fale em “banhada” ou “hecatombe” da maioria governativa? Deixando de lado a moderação na linguagem (coisa a que só a “não esquerda” está obrigada!...), há “pormaiores” que só uma leitura atenta dos resultados revelam.
Assim, o PS ganhou as eleições: parabéns! Alcançou maior número de votos e de mandatos. A maioria governativa obetve menos votos e menos mandatos.
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Por Jornal Rostos

Assim, o PS ganhou as eleições: parabéns! Alcançou maior número de votos e de mandatos. A maioria governativa obetve menos votos e menos mandatos.
Consequências? Dividamos a resposta em três grupos.

1. Os mandatos.
Antes de Domingo, a representação portuguesa (em atenção a Nice) era assegurada por 12 deputados do PS, 10 no conjunto PSD+CDS e 2 da CDU. Apurados os resultados, ficamos confusos e não encontramos motivos para tanto júbilo socialista:
– o PS mantém o mesmo número de mandatos;
– o mesmo se diga da CDU– apesar de agora lhe “faltarem” 48.744 votos (porém Carlos Carvalhas anunciou uma... «vitória» e um resultado... «muito encorajador»!?!);
– a coligação perde um mandato (como se vê uma “hecatombe”!)...
– ... que foi atribuído ao BE, orgulhoso representante da extrema-esquerda!

Corrijo, pois: parabéns ao PS... e ao BE!
Fica claro que o país entrou num “novo rumo”!?! Está mais “moderado”! E ficou “mais europeista”!
E tudo graças ao PS e à sua actual direcção!

Aliás, ninguém deve estar mais contente do que a actual liderança do PS: apelou aos eleitores para não votarem na coligação por causa do (suposto) perigo da extrema-direita... e acabou por conseguir eleger um deputado... da extrema-esquerda! Compreende-se o júbilo: como já confessaram, este PS, se preciso, coligar-se-à com o BE! Assim ficamos a saber para quem é que esta direcção do PS trabalha...

2. Os votos: as perdas e os ganhos.
O líder do PS afirmou que esta foi uma «grande e histórica vitória» do PS. E os media deram o conveniente (e sempre conivente) eco.
Porém, não obstante a significativa diminuição de votos na coligação (menos 231.933 votos), o PS apenas capta... 18.963 (uns meros 8%!)? É justo que se diga que os eleitores terão pretendido demonstrar o seu descontentamento perante algumas consequências da acção governativa. Por isso, eleitoralmente penalizaram os partidos da maioria. Todavia, não confiam neste PS, não o têm por credível alternativa de governo. A este Ps, os eleitores preferiram... a abstenção!
Com esta orientação política, o PS cresce 18.963 votos e a extrema-esquerda... 105.004 (cinco vezes mais!). O que prova que a radizalização do discurso deste PS, o revivalismo “soixant-huitard” que este prefere como estilo, só reduz a participação do eleitorado moderado e... engrossa as fileiras da extrema-esquerda.
Foi esta a “grande vitória” deste PS... extrema-esquerda look-alike!

3. Os votos: as leituras politicamente abusivas.
Eufórico com os resultados, e (dizem) estimulado pelo conselheiro regressado, o actual secretário-geral do PS afirmou que o governo passou a estar «fortemente deslegitimado»! Porém, as eleições de Domingo destinavam-se a escolher deputados para o Parlamento Europeu: com esses resultados, o PS elegeu os mesmos 12 deputados e, comparativamente a eleições anteriores, cresceu uns meros 18.963 votos!
Tem um resultado percentualmente expressivo, é um facto! Mas, a causa de tal (aparência) de “crescimento” é o aumento de abstenção! Esta, pela sua dimensão, não coloca em causa a legitimidade da eleição ou dos que então foram eleitos! Mas exige moderação na leitura dos resultados!
Afirmar que, por isso, a coligação sofre de uma “menor legitimidade” para governar, ou que «a maioria é agora minoritária» é retirar “ilações” que, de tão “criativas”, se tornam “delirantes”: nas eleições onde se decide a governação do país, as legislativas, os partidos da coligação receberam mais 640.000 votos dos que, no Domingo, foram obtidos por toda a oposição... somada!

Esta não é uma leitura “desculpativa”, mas apenas reparos a interpretações politicamente abusivas.
É legítima a comparação dos resultados... até porque foi o PS (seguido pela esquerda extrema e a extrema-esquerda) quem levantou a questão da legitimidade do Governo (que lhe advém das eleições de 2002)!
Aceita-se que se diga que no Domingo houve uma derrota para os partidos do governo e que os resultados são um sinal a ter em consideração pelos partidos e pelo Primeiro-Ministro!
Mas em nada diminuiram a legitimidade político-governativa da maioria!

Em 2006... que é a hora marcada para fazermos comparações... o Povo emitirá o seu juízo! Então se verá que, perante os resultados de uma política de verdade,... os socialistas cá as fizeram, cá as pagarão!

Post sciptum: No (protocolarmente “apressado”) discurso de vitória outros factos foram dignos de nota: qual a razão da urgência que forçou o actual secretário-geral do PS a, extemporaneamente, anunciar a recandidatura? Procuraria obviar a (públicas) vozes discordantes?!? Que bonito foi ver os media tão ordeiros e pouco dados a “à partes”? E alguém reparou que o actual secretário-geral leu a resposta à pergunta inaugural?!? Teve medo do improviso... ou foi pergunta “a pedido”?!? E terá sido coincidência ter sido a primeira?!?

titamau@netcabo.pt
Prof. Universitário

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