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Quotidianos

Um desejo de CidadePor Armando Vilela

Na verdade o Barreiro ainda não é uma cidade, nunca foi. Ao longo da segunda metade do século passado o Barreiro cresceu sem controlo e sem regras, foi ao sabor do pior mau gosto e da pior das ideias, a não ideia.

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Por Jornal Rostos

Um desejo de Cidade
Por Armando Vilela

Inferências
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“O Barreiro, quem vive no Barreiro, que, sonha Barreiro, quem pensa Barreiro, precisa de ideias, projectos, sonhos...um discurso de cidade.
Uma cidade com um Plano Estratégico – uma cidade com pensamento.”
António Sousa Pereira
24 - 9 - 2004
2:30:00 AM

Sousa Pereira,

Em resposta à tua preocupação de um pensamento para a cidade, parece-me a mim que com a apresentação do novo PDM, o arquitecto Luís Pedro Cerqueira deixa um legado muito importante para o projecto de cidade para o Barreiro.
Na verdade o Barreiro ainda não é uma cidade, nunca foi. Ao longo da segunda metade do século passado o Barreiro cresceu sem controlo e sem regras, foi ao sabor do pior mau gosto e da pior das ideias, a não ideia.
De regresso de férias escrevi um texto a que dei o nome de “Crónica de uma viagem”, nesse texto põe-se o problema do regresso depois de um longo percurso de 5.500 km de viagem. Um regresso ao Barreiro.
Na própria ideia de regresso, existe sempre a esperança de nos fazer “re-encontrar” (encontrar o que desejamos e um “re” de algo renovado) numa cidade onde deixámos sonhos, amigos, valores e um projecto para o futuro.
Mas quando deixamos o teclado correr, não conseguimos deixar de escrever o que sentimos, de que a realidade re-encontrada é feia.
O arquitecto Luís Pedro Cerqueira tem tido um papel activo no processo de pensar a cidade, mas precisávamos de ter alguém que pegasse no conteúdo dessas ideias e as materializasse, pois o nosso problema hoje já não é sabermos para onde queremos ir.
Hoje sabemos que não queremos estar com um passado próximo de vinte e cinco anos de abandono a um ideal de “uns amanhãs que cantam”, queremos antes estar ligados a um futuro activo com um projecto de cidade renovada nas suas infraestruturas e que dê possibilidade de ela se transformar num centro de iniciativas empresariais, cuturais, desportivas, associativas, políticas e educativas, capaz de a transformar, não num dormitório mas num verdadeiro centro dinamizador de uma economia local com um desenvolvimento sustentado.
Deixo uma mensagem ao meu querido amigo Luís Pedro Cerqueira, chegou a altura de pensar construindo.
Construindo com base em tudo que já pensas-te, porque o que pensas-te é bom, é muito bom.
Estamos ansiosos por ter argumentos que convençam os nossos filhos a ficar.

Armando Vilela
Barreiro, 24 de Setembro de 2004

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