A Cidade e o AssociativismoPor Cardoso Ferreira *
Por Jornal Rostos
Apraz-me aqui registar a iniciativa de o Município, de este ano nas Festas do Barreiro, ter escolhido como tema específico o Associativsmo.
Era uma homenagem que faltava, tendo em conta o inestimável trabalho desenvolvido pelas Associações ao longo de décadas, que, para além das suas actividades próprias, ajudaram a forjar consciências e sempre foram cadinhos de fervilhantes aspirações de liberdade.
Para além da mostra do que tem sido o Associativismo na nossa terra, a iniciativa proporcionou a demonstração das grandes potencialidades existentes em inúmeras Associações, apesar de, em consequência dos tempos, muitas outras se encontrarem em situação definhante.
Por outro lado, o levantamento, levado a cabo pela CMB, da documentação histórica existente nas Associações, poderá contribuir, se houver capacidade técnica e vontada política, para a feitura da verdadeira história do Associativismo no Barreiro.
Não só de agora mas desde há bastantes anos, reconhece o Município a importância deste movimento e a capacidade do dar desinteressado da grande maioria dos seus dirigentes, tendo criado o galardão de “Barreiro Reconhecido” para os que nesta actividade mais se destaquem.
Porque há longos anos me encontro ligado ao Associativismo, porque conheço a sua realidade, as suas gentes e a capacidade de dádiva dos seus dirigentes para com a comunidade, não posso, em contraponto, deixar passar em claro afirmações públicas altamente lesivas da integridade moral de quem tem a responsabilidade de conduzir as Associações.
E a minha indignação é tanto maior, quando tais afirmações provêm de dirigentes políticos com altas responsabildades na condução dos destinos desta terra.
Vem isto a propósito de declarações proferidas num encontro concelhio de eleitos e activistas da CDU em 29 de Maio passado, transcritas no Jornal do Barreiro, sem que tivesse dado por qualquer desmentido ou correcção, tendo sido afirmado, cito : “se uma colectividade estiver disposta a fazer propaganda a favôr da Câmara tem, naturalmente grandes verbas, pode fazer melhoramentos na sua sede e até pode meter dinheiro nos bolsos de alguns dirigentes, como em alguns casos se anda aí a passar”, fim de citação.
Desconhecendo em absoluto o que entendem estes senhores por “fazer propaganda a favôr da Câmara”, considero política, ética e moralmente condenável lançar um labéu de suspeita sobre a generalidade dos Dirigentes Associativos.
Se têm provas do que afirmam, a Comunidade Barreirense tem o direito de o saber. É obrigação de quem o afirma, identificar as situações e respectivos prevaricadores, desculpando-se perante os restantes.
Se não têm provas, é sua obrigação retratarem-se.
Barreiro, 23 de Setembro de 2004
Cardoso Ferreira
Deputado Municipal pelo Partido Socialista
* Intervenção proferida, no período de antes da ordem do dia, na reunião da Assembleia Municipal realizada em 2004.09.23














