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Quotidianos

“ARESTAS DE VENTO”Uma posição lúcida perante o Inimigo Comum
Por RICARDO CARDOSO

Ao cogitar no modesto “todo” em que andam muitas das cabeças do poder, choca-me o individualismo presente, imbuído de importâncias nubladas com enjoativo aroma a banalidades mediáticas e imediatistas, debaixo da orientação de aparentes teóricos.

3 min de leitura

Por Jornal Rostos

Aclaro o seguinte: ao escrever esta prosa não estou a tentar atingir satélites, galáxias, partículas constipadas de cobiça ou a anunciar o fim das ideologias. Para os leitores e cidadãos mais sérios estarei a assumir uma posição que considero transparente e acertada, perante o inimigo comum conhecido por pânico e causador de menosprezos em forma de crematório sinistro.
No isolamento bombardeado deste processo criativo antecipo o que quero e o que projecto nesta minha forma viva de literatura: a aplicação de espírito humanista e universalista à dimensão planetária e local.
Se juntar a esta solicitação uma certa antipatia natural por neoliberalismo, com as suas falsas características de concorrência livre e solidária (...) eterizo nos braços da estratégia despovoada da política global.
Aliás, nesta contagem macabra das vítimas deste processo histórico e tristemente famoso pelo ar triunfal e rico dos respectivos cultores, assoma a figura dos críticos como alvos de referência a abater.
E o mundo cão continua a cancelar cada vez mais a democracia representativa. Alguém sabe onde está a face do capital? Entre os desempregados, com toda a certeza, não será, pois com este tipo de disposição económica o desemprego aumenta em cada dia que passa.
É urgente que os amigos do pensamento libertador partam as grades dos condicionalismos. Deste modo, todos juntos, daremos resposta a este desamparo como roteiro de vida. Há dias, uma mulher de expediente que muito estimo dizia-me: “sabe, há quem não perceba, por aquilo que o Ricardo Cardoso escreve, de que lado político está”?!!! Meu Deus, ao que isto chegou!... Um ser humano diferente não pode construir a sua própria casa cultural?!!! Saber estar, saber ouvir e saber entender é celebrar a sabedoria na medida em que leva aos descobrimentos da honestidade e da identidade.
Na linha que leva à confirmação terrestre da utopia, faço constar neste escrito que em boa hora o “Dia Mundial da Música”, está a ser comemorado em Palmela até ao dia 31 de Outubro, com um programa adequado, onde estão representadas algumas das vertentes que compõem esta arte: a ópera, canto lírico, a música experimental, a percussão e a música popular portuguesa, além do canto de intervenção e da música protagonizada pelas bandas filarmónicas. Em suma, um programa pensado com muita qualidade pela gente da Câmara Municipal deste concelho. Um indicador jovem, útil e raro num somatório nacional e fatal de edilidades perdidas em patifarias demagógicas.
Uma maneira singular de completar esta minha intervenção de hoje:
Fernando tordo, com 30 discos gravados e uma carreira de 40 anos de sucessos, sem ceder a pressões de pacotilha e procurando sempre padrões de qualidade e busca de novas sonoridades disse, recentemente, no programa Arestas de Vento da Rádio Pal (102.2 fm) que, presentemente, só existem artistas a partir de Ayamonte.
Muito mal estaremos se não percebermos que o cantor em causa é um sobrevivente num sistema idólatra de insidiosa manipulação e mediocridade. A esta verificação e premência que vejo chamarei tourada e tem direitos de autor. Ora pensem lá...
“Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.

E diz o inteligente
que acabaram as canções.”

RICARDO CARDOSO

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