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Quotidianos

OS PROBLEMAS DE FUNDO DA NOSSA PROVÍNCIA SÃO CULTURAIS”

Um político que se preze, tem a obrigação de sentir... como uma criatura da vida real se constrói. Não há, por isso mesmo, grandes políticos que não sejam grandes indivíduos. “Fulano tal” é bom político porque consegue fazer na praça pública a reprodução das nossas esperanças, sonhos e filosofia.

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Por Jornal Rostos

Mas cuidado: Não é vergonha ser simples e rústico aos olhos dos campeões em prodígios. Pois bem, talvez seja razoável dizer que na complexa situação política que o país atravessa, a facção dos eleitos para cargos ligados ao poder local, assume, como objectivo principal, a garantia da qualidade de vida dos munícipes, bem como a preservação da identidade popular, numa responsabilidade articulada com vários agentes de mobilização das populações para novos propósitos. Esta verdade é antiga, como antigas são as mentalidades medíocres. Acresce, que é urgente, não apenas mudar as inteligências, mas activar o entusiasmo criativo. O que quero dizer é que, infelizmente, o que por aí abunda (antes da contagem dos votos) é palavreado populista e publicitário, sem correspondência naquilo que a comunidade pede. Nunca é demais lembrar que há uma cultura viva e outra morta. Como em tantas coisas, a cretinice e o idiotismo são mercadorias dos seus próprios interesses e das vantagens dos falsos profetas (políticos de pacotilha) instalados em ridículos aplausos a tais feitos. Numa terra onde toda a gente se conhece é mais difícil ainda o rei esconder que vai numa nudez legítima. A política cultural não é um instrumento ao serviço do poder, mas uma bomba ao serviço dos cidadãos que acreditam, com a simplicidade do dia a dia, que um tipo pode prever hoje, aquilo que, mais tarde, a procura vai comprovar de uma forma tão disponível que recebe jovens e idosos de braços abertos. Os eleitores são felizes quando têm o privilégio de partilhar utopias e resoluções com agentes da cidadania investidos no papel de autarcas. Como escriba, é uma sorte e um prazer conseguir cruzar com algumas raridades em forma de gente actuante e historiar ao papel.

Malgrado, as opiniões insertas num á-bê-cê de cordel, os problemas de fundo da nossa província são culturais. Tudo depende da maneira como se faz... e, o atraso económico, a falta de recursos, mais isto e mais aquilo com que se bloqueia a subsistência fora da grande Lisboa, repõem a quimera da modernização. Não basta uma região integrar as brochuras do progresso material, é preciso ter bons autarcas no país real. Cidadãos com sensibilidade para ouvir, entender e ajudar a chegar à sociedade descentralizada imaginada no dia 25 de Abril de 1974. Senhores políticos de inspiração local, em Portugal, o povo está farto de existir e resistir nos bastidores do mundo mesquinho das figurinhas de gravata com pés de barro. Importa ir às causas deste destino... pela responsabilidade de cada um!!! Agora, que internamente, vivemos alguma definição, é indispensável cortar este cordão umbilical com a pata do discurso da tanga!... Disso sofre o Zé-povinho desde que é povo e... francamente... não há loiça das caldas para tanta necessidade. Volta à vida Rafael Bordalo Pinheiro, pois a espécie inimiga das senhoras e cavalheiros do chá das vaidades (pensando à José Carlos Ary dos Santos) precisa de ti...

RICARDO CARDOSO

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