Saltar para o conteúdo
Quotidianos

“Abril incendiado pelos modernos algozes”Por RICARDO CARDOSO

O 25 de Abril de 1974 que pretendemos ter no presente, processa-se (como um sonho com desejo) através do rumo deteriorado da escrita activa de homens bons e com defeitos, espalhados numa mensagem de luz eterna.

3 min de leitura

Por Jornal Rostos

Com defeitos? Pois claro, perfeitinho, perfeitinho, só mesmo o preconceito! A linguagem das palavras mortas e muito certinhas sempre adormeceram o novo dia…

Como se o vento pudesse transformar a História das verdades por contar, numa farsa de mentiras silvestres, decoradas à moderna, numa escola tão antiga, como as recordações bolorentas do “botas”?!!!

É como diz Fernando Pessoa: “ É hora...”

Será tão difícil lançar este grito aos nossos irmãos e romper em flores a 1ª página do livro de madrugar (sem mestre)?!!!

A revolução de Abril foi o momento mais realizado de uma ruptura de estilo com o fascismo. Esta deu ao povo a esperança da reestruturação da sociedade portuguesa. A ternura vestiu a cores o luto das mães dos filhos da guerra colonial. Em suma: Portugal, intoxicado durante décadas, por uma atmosfera ideológica servida pelas referências culturais do regime de Salazar e Caetano, voltou para dentro do espaço humano anterior à ditadura.

PEQUENO TEXTO ELABORADO COM BASE EM DEPOIMENTOS DE INTERVENIENTES NO 25 DE ABRIL: “Porém, tudo se pode resumir a uma breve legenda: Salgueiro Maia, soldado português que à frente de 240 homens e com dez carros de combate da EPC avançou em 25 de Abril de 1974 sobre Lisboa, ocupou o Terreiro do Paço levando os ministros de um regime ditatorial de quase 50 anos a fugir como coelhos assustados, cercou o Quartel do Carmo obrigando Marcelo Caetano a render-se e a demitir-se. Atingiu o posto de tenente-coronel, recusou cargos de poder.
É o mais puro símbolo da coragem e da generosidade dos capitães de Abril. E quase tudo terá ficado dito.”

Mas porquê esta consideração literária 31 anos depois?!!!
Porquê? Cá vai: Então um Portugal vivo disse basta aos velhos algozes e acabou com a hipertrofia nacionalíssima das espingardas imperiais na zona histórica das descobertas, para se apagar na Europa e no mundo enquanto nação? Que preço vai pagar a misteriosa alma Lusíada, por ser, representante do lucro e do poderosamente correcto?
O ecumenismo dos cravos, tal como os capitães da revolução o quiseram, está na ligação equilibrada do individual com a imensidão da liberdade.
As nações, como as pessoas, não podem viver sem uma imagem própria. Da mesma forma que o 25 de Abril recuperou a decência das nossas fronteiras interiores e exteriores, o envio, em tempo, de militares para o Iraque, excedeu esse facto vital, fazendo ressurgir, num desencontro com a história contemporânea e em nome do companheirismo internacional, o complexo do conquistador airoso e mortífero... movido a petróleo...em busca, como negociante ou industrial, de um lugar primordial no mundo.

ESCREVER AQUI LIBERDADE
É RASGAR
UM PASSADO SEM MEMÓRIA
EM PEDAÇOS
DE FUTURO

RICARDO CARDOSO

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção