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Quotidianos

BARREIRO: UMA CIDADE DO DESPORTO... PARA TODOS

O lema “Barreiro: Cidade Desportiva” sugere de forma inequívoca a importância que a prática desportiva tem na vida da nossa cidade. Porém, a sua afirmação plena conseguir-se-á quando o Barreiro puder constituir-se verdadeiramente como uma cidade do DESPORTO PARA TODOS.

5 min de leitura

Por Jornal Rostos

1 - Não há tempo para andarmos à volta com a conversa e perdermo-nos com muitas justificações. Talvez ela valesse a pena e as justificações fossem imprescindíveis. Porém, ao invés disso, procuraremos deixar duas ou três referências breves que por um lado sejam mote de discussão para o futuro, por outro, porque parecem-me ser, as que efectivamente são mais importantes.

2 - Tem que haver clareza quanto a um primeiro aspecto: o objectivo central do desenvolvimento desportivo visto num plano autárquico é o da generalização da prática desportiva. O que isto quer dizer é que o motor central de uma política de desenvolvimento desportivo de uma câmara municipal, deve ser o de assegurar que os seus munícipes, possam obter livremente todo o conjunto de benefícios que da prática desportiva todos reconhecemos ser possível. Aliás, esta prática desportiva generalizada é ela própria um direito constitucional.

3 - Para que a prática seja generalizada deve ser possível facilitar o acesso a essa prática. Deve em primeiro lugar, existir e fomentar uma cultura de hábito de prática desportiva. Podemos ter lindos pavilhões, parques de lazer extraordinários, mas se não fomentarmos na nossa população a cultura da prática desportiva, de nada isso nos serve. Num estudo efectuado em termos nacionais com cidadãos dos 15 aos 74 anos, estimava-se em 1998 um total de 23% de pessoas que diziam praticar regularmente actividade física

• a Câmara, junto das escolas do 1º ciclo deve criar condições para que a educação física faça parte do currículo das crianças; o que não faltam é professores de educação física no desemprego que poderiam muito bem ser os protagonistas deste processo;

• a Câmara, junto das escolas do 1º ciclo deve não perder de vista a necessidade de formação dos professores deste nível de ensino no que se refere às áreas técnicas em particular a educação física

4 - Para que a prática seja generalizada é evidente que devem ser criadas, mantidas e racionalizadas as infra-estruturas e parques desportivos da cidade. Algumas perguntas, que julgo podem ser um bom mote de discussão?

• Para quando a construção de uma piscina que de facto sirva o interesse das pessoas?

• Certamente gostaríamos, de ter um parque desportivo como muitas outras cidades têm! Com um multiusos, uma pista tartan, campos diversos para a prática de manutenções e competições! A pergunta é: existe no concelho melhor solução senão pensar no que se deve fazer às instalações do Fabril?

• finalmente, nesta questão dos espaços, a racionalização do que temos. Porque não abrir-se os espaços exteriores das escolas para que os jovens possam fazer desses espaços locais de prática espontânea.

• Se estiver aqui presente alguém de um conselho directivo diz que estou louco. É evidente, que não sou lírico ao ponto de pensar que isto se faz de forma fácil, sem vigilância, sem estrago e sem despesa, ou seja sem dinheiro. Mas o que me quero referir é que a escola deste século deve estar aberta às pessoas, nomeadamente aos jovens que podem nestes espaços fazer a rua de antigamente. Aqui a Câmara pode ter um papel decisivo.

5 - Para que a prática seja generalizada é preciso reanimar o movimento associativo.

• o papel das juntas de freguesia pode ser determinante na tentativa de criar programas de animação desportiva locais juntamente com as colectividades da freguesia e rentabilizando os parques de lazer e as instalações das escolas da sua zona;

• o papel que a Câmara pode ter no lançamento de programas de formação de dirigentes associativos

• uma maior inter-relação com a APEF local, a Associação de Profissionais de Educação Física, que pelo seu conhecimento técnico da situação no concelho pode ser uma plataforma de suporte para aquilo que se pretenda fazer.

6 - Finalmente, para que a prática seja generalizada devem ser promovidas acções ou eventos relacionados com a bandeira da prática desportiva; um bom exemplo seria a possibilidade de se recriar, reinventar os Jogos Juvenis do Barreiro. Sem saudosismos, no sentido de pensar que “antes é que se fazia bem”, não vejo como é que uma cidade desportiva, como gostamos de nos intitular não tem um evento verdadeiramente massificador da prática desportiva.

7 - Para terminar, e porque a decisão implica o conhecimento da realidade, o estudo da população do concelho em termos desportivos é algo de muito importante e útil. O aproveitamento do know how académico que a cidade tem disponível pode servir os seus próprios interesses – estágios pedagógicos em Educação Física existentes no Barreiro.

• conhecer as motivações para a prática desportiva;
• conhecer os hábitos de prática desportiva da população do concelho;
• caracterizar os níveis de condição e aptidão física da população juvenil;

Estes são aspectos fundamentais para definir e orientar e reajustar uma verdadeira política que em termos municipais só vejo um sentido: massificar e generalizar a prática desportiva aos cidadãos da nossa cidade.

ANTÓNIO PAULO FERREIRA

* Intervenção efectuada no AUDITÓRIO DA BIBLIOTECA DA CÂMARA MUNICIPAL DO BARREIRO, 17 ABRIL 2005 – Encontro Temático do Partido Socialista.

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