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Quotidianos

O PS E A CÃMARA DE MONTIJO SEMPRE DEFENDERAM OS SOBREIROSPor José Bastos

Se todas as Câmaras procedessem como a do Montijo não havia tanta polémica sobre os montados de sobro

3 min de leitura

Por Jornal Rostos

O PS do Montijo tem uma grande experiência nesta matéria, por termos no nosso concelho muitos montados de sobro e indústria de transformação de cortiça. A nossa estratégia passa pela defesa intransigente dos sobreiros e sabemos bem das pressões que temos sofrido desde que foi inaugurada a Ponte Vasco da Gama.
Temos consciência que se não formos firmes no cumprimento da lei não fica um sobreiro de pé na região.
Em 2001, quando da discussão do Projecto-Lei dos montados de sobro e azinho onde constava que os sobreiros podiam ser derrubados não só por interesse público, mas também com relevante interesse para economia nacional, por entendermos que a lei a ser aprovada assim, era o fim dos sobreirais na margem Sul, interviemos junto do Governo e da presidência da República e conseguimos juntamente com outras entidades que também tinham o mesmo entendimento que nós que o relevante interesse para a economia nacional fosse retirado.
O que se passa em Benavente e no Seixal, Câmaras com maioria do PCP e dos Verdes é prova mais que evidente que tínhamos razão.
Quando nos mobilizámos no PS de Montijo para alterar o Projecto-Lei sabíamos o que estávamos a fazer, pois existe uma ambição desmedida dos especuladores imobiliários para transformarem os montados de sobro em condomínios privados para construírem muitos milhares de moradias unifamiliares.
O negócio nunca são os hotéis , os golfes e o desenvolvimento do turismo. Os promotores desistem logo dos projectos turísticos se as Câmaras não autorizarem a construção de centenas ou milhares de moradias.
As Câmaras da região onde existem grande quantidade de sobreirais têm que perceber que os montados de sobro têm uma grande função na conservação do solo, na regularização do ciclo hidrológico e na qualidade da água.
O aquífero da nossa região é uma grande reserva de água a nível regional, graças também à existência dos montados de sobro.
A cortiça retirada dos sobreiros, representa milhares de postos de trabalho e 3% do valor das nossas exportações. Além disso é o único produto em que somos lideres mundiais, tanto em qualidade, como em quantidade.
Defendemos no PS de Montijo que o Estado se deve interessar pela plantação de sobreiros que também servem para a pastorícia, participando nos custos dos investimentos privados e fazendo plantações nos seus próprios terrenos. Junto à circular externa do Montijo, que está a ser construída vão ser plantados sobreiros.
Sou daqueles que pensam que 30 anos, que é o tempo que o sobreiro leva para dar cortiça, é muito para a imaginação dos jovens, mas é um curto período de tempo em relação ao Estado.
A nossa geração tem obrigação de legar às vindouras mais sobreiros do que aqueles que recebeu, ainda mais num tempo em que muitas culturas que eram rentáveis no passado hoje não o são, por causa da política agrícola da União Europeia.

José Bastos

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