“SENHORES AUTARCAS, QUAL É O VOSSO PAPEL NESTA INDEFINIÇÃO PROVOCADA PELA DEFINIÇÃO ELEITORAL?!!!”Por RICARDO CARDOSO
Por Jornal Rostos
Esta verdade é antiga, como antigas são as mentalidades medíocres, sob a forma vivencial mais diversa. Acresce, que é urgente, não apenas mudar as inteligências, mas activar a cumplicidade no trabalho.
Crise? Qual delas?!!! O que quero dizer é que, infelizmente, o que por aí abunda é palavreado populista e publicitário, sem correspondência naquilo que a realidade e o futuro pedem. Já o grande José Carlos Ary dos Santos, afirmou (com um cravo ao caminho) que há uma crise viva e outra morta. Como em tantas coisas a cretinice e o idiotismo são mercadorias dos seus próprios interesses e das vantagens dos políticos instalados em ridículos aplausos a tais feitos. Numa terra onde toda a gente se conhece é mais difícil ainda o rei esconder que vai numa nudez envergonhada.
A acção mais sensata de um autarca é conceder, ao arrepio da tragédia intelectual, apoios aos artistas ao serviço da sociedade popular, às associações locais, ao teatro de amadores e profissionais, às bandas de música e outras iniciativas de marca inovadora. Caso contrário, o candidato, à boca das urnas, foi preferido para quê? Que ninguém argumente, com frases de ouvido “o dinheiro faz falta para combater a carência ”. Malgrado, as opiniões insertas num á-bê-cê de cordel, os problemas de fundo do nosso país profundo são virtuais. Como virtuais são muitos destinos de “fundos de investimento para cimento à solta”. Tudo depende da maneira “real” de fazer... e, o atraso económico, a falta de recursos, mais isto e mais aquilo com que se bloqueia a subsistência fora da grande Lisboa, repõem a quimera do 25 de Abril.
Não basta uma nação integrar as brochuras da união política europeia, é preciso ter gente, no país das pescas, da laranja e do pão, saber ouvir, ser e transformar o padecimento em alegria. Velhos são os trapos e novo é o vinho de Palmela, Beiras e Alentejo. Um magnate nunca poderá compreender que uma parreira é uma obra de arte da natureza, para quem trabalha e contempla “cansado” o pôr-do-sol.
Em Portugal existimos e resistimos, pela responsabilidade das descobertas. Importa ir às causas desta originalidade histórica. Agora, que internamente, vivemos alguma indefinição provocada pela definição eleitoral, é indispensável cortar este cordão umbilical com a pata administrativa e lucrativa da economia europeia que nos envergonha, deprime e tudo controla. Máfia da pobreza em Portugal? Não acredito na pobreza como forma de lucro!!! Acredito na força do sabão “enquanto limpa”...
Amigos da luta intransigente pela chama que tudo modifica, vou mais fundo nesta questão: nos anos setenta, a cultura popular foi sinónimo de imobilismo, hoje, é o único discurso modernista capaz de cativar as gerações mais jovens e expulsar do templo os vendedores de detergente.
Senhores autarcas novos e modernos, “deixo o resto à vossa imaginação”...
RICARDO CARDOSO














