Saltar para o conteúdo
Quotidianos

Escola Superior de Tecnologia do BarreiroPor Manuela Fonseca

Inaugurou, em 10 de Outubro de 1999, em espaço provisório, no Quimiparque, com a presença do Professor Doutor Eduardo Marçal Grilo, ao tempo Ministro da Educação, a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, bem no local onde tantos trabalhadores, num passado recente, desejaram para os filhos muito melhor do que tinham, pensei como era feliz por estar a viver, ali mesmo, novos tempos, sem senhores, sem bufos, sem medo, em direcção a uma democracia cada vez melhor porque com pessoas, mormente jovens, instruídas, preparadas para o mundo laboral e técnico tão exigente dos dias de hoje e para uma produção económica de qualidade.

5 min de leitura
Escola Superior de Tecnologia do Barreiro Por Manuela Fonseca

Por Jornal Rostos

Consulto o “Jornal do Barreiro” (2365) de 17 de Janeiro de 1997. A primeira página refere, com grande destaque: “No Cinquentenário da Escola Alfredo da Silva: Ensino Superior: proposta aceite por Ministro da Educação”. Lembro-me desse dia emocionante, 12 do mês citado, com o ginásio cheio e uma multidão que ficou na rua, duplamente feliz: pelas cinco décadas do estabelecimento de ensino, pela presença prestigiante de um amigo ilustre da cidade, o Dr. Jorge Sampaio, na qualidade de Presidente da República. O dia em que Pedro Canário, então à frente desta autarquia, sublinhou, no seu discurso, o desejo e o interesse dos habitantes da cidade na criação do Ensino Superior Público nesta terra.
Também me encontrava na ESAS, nesse momento, como sua antiga professora e formadora, em momento curto e inesquecível, na década de oitenta, que tenho divulgado em outras situações comunicativas. E tive então a certeza da construção, educativa e técnica, de uma escola de formação avançada, de âmbito regional e nacional, a ser, num dia breve, um dos marcos de uma cidade que, de antiga vila operária, está em busca de caminhos de modernidade, herdados de um passado que a honra e de que se orgulha. Vi, nos olhos brilhantes dos concidadãos, na certeza de dois amigos, empenhados na política, exemplos, como tantas outras pessoas, do que a vida dos escolhidos pelo voto do povo tem de mais belo, a defesa das populações, o saudoso companheiro de infância Luís Manuel Carvalho (como foi breve, querido Luís, o tempo da merenda, tão abundante e variada, que a tua mãe nos levava, no intervalo de brincadeiras das crianças que ainda anteontem éramos, do amor ao desporto e à cidadania que o teu pai nos inculcava, adolescentes na tentativa de compreender o Mundo e indignados com os crimes da ditadura!) e António João Sardinha (que emprestou novo apelido à Maria Gabriela, filha do Sr. Cordeiro, dedicado companheiro do meu pai e, como ele, maquinista amante da profissão, a levar-nos em viagens nas quais a imaginação e os espaços físicos se cruzavam) e de outros eleitos locais, pertencentes às forças partidárias a que a população tem dado a confiança, que o caminho da valorização da nossa cidade através de um estabelecimento como o proposto era um desígnio da mesma e, assim, irreversível.
Quando o Instituto Politécnico de Setúbal, presidido pela Professora Cristina Figueira, colega da Escola Superior de Educação que muito prezo, pelas qualidades humanas e profissionais que deveriam ser divulgadas como imagem de excelência na/da função pública (está bem, detentores do poder?) inaugurou, em 10 de Outubro de 1999, em espaço provisório, no Quimiparque, com a presença do Professor Doutor Eduardo Marçal Grilo, ao tempo Ministro da Educação, a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, bem no local onde tantos trabalhadores, num passado recente, desejaram para os filhos muito melhor do que tinham, pensei como era feliz por estar a viver, ali mesmo, novos tempos, sem senhores, sem bufos, sem medo, em direcção a uma democracia cada vez melhor porque com pessoas, mormente jovens, instruídas, preparadas para o mundo laboral e técnico tão exigente dos dias de hoje e para uma produção económica de qualidade.
Colaboradora, desde o ano lectivo anterior, desta instituição que vejo crescer e que se prepara para ministrar um novo curso, o de Engenharia de Conservação e Reabilitação, numa altura complicada da vida da nação, com a exigência de sacrifícios aos do costume, os que têm a força do seu labor, salários curtos, escassos apoios sociais e na saúde, e, ainda por cima, pagam os impostos de que outros se escondem, com fraudes, truques, “tachos” vários, sei que na mesma tudo será feito no sentido do bem comum, da busca e do encontro de algumas soluções, académicas e práticas, em prol da criação de postos de actividades produtivas diversificadas e diferenciadas que ajudem, na universalidade do ensino superior, como uma gota de água a juntar-se a outra e a outra, em Portugal e nos países que procuram a EST/Barreiro, com novas instalações em construção, à procura de um mar de esperança na capacidade de criar riqueza, erradicando, de uma vez por todas, a “tanga” que um homem com poucos escrúpulos vestiu e, olhando para si, certamente influenciado pelo delírio e calor brasileiro de férias antevistas, mais ou menos milionárias, em tempo de crise para os outros, disse que era a roupa do país…

Manuela Fonseca

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção