“ COUÇO E FERNANDO TORDO RESISTEM À ABSORÇÃO”Por Ricardo Cardoso
Por Jornal Rostos
Os sonhos nunca acabam, porque fazem parte do desejo. Todo o mundo sabe que assim é...
No mundo de hoje, uma das características mais difundidas da arte de sonhar é a orientação do ter. E o mais grave é que esse processo alquímico acontece em prejuízo do ser. Os valores simples e humanos são facilmente falsificados nos modelos insignificantes e delirantes das modas de circunstância. Copiam-se vontades, cromos, canções, casas, filosofias de coisa nenhuma, contradições e vaidades antigas e modernas. Tudo isto por não sabermos existir.
A vida de todos os dias pode ser um nevoeiro que a torna cega.
Saber sonhar, é uma empreitada que carece de factura?!!!
Um aventureiro do desejo, dificilmente diz que é perigoso conduzir sem carta contemplativa “pessoas” nesta dimensão composta pelas desgraças que fingimos não ver em nome da “comodidade”.
Há muito que a ausência da nossa lasca na energia que tudo modifica andava cansada.
De repente... quantos ficaram mais amigos... com a realização da XXI semana de arte cultura e desporto da Vila do Couço (povoação Ribatejana esquecida nos mapas de papel e da má-fé do sucesso)?!!! Muitos...
Enfim, o culto do belo aceitou a verdade como eco da sereia cantado num lago...perdão, numa praça!
Para os mais espiritualizados: “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé”, disse S. Paulo.
Igualmente a ética operante de qualquer indivíduo mais ponderado, impõe que se rejeite aquilo que possa contribuir para a cegueira de cordel. E só nesse sentido haverá autentica renovação de projectos e reparações com todos.
É deveras preocupante o que se está a passar no jogo indecoroso dos aprimorados da morte lenta do poder do progresso. E “tu” leitor e ouvinte és um pé-de-cantiga espectador, familiar ou pagante.
Neste momento de elasticidade colectiva, têm os políticos de ter presente este cálice de infortúnio chamado “província”.
O quê? A província que se lixe?!!!
E a gente responde à Junqueiro: Um prato de merda é um prato de merda.
Bem visto! Uma descarga no wc, uma beijoca em alguém, dois murros num velhaco, uma reunião no Vaticano (com o geral respeito que a situação merece) tudo são, verdadeiramente, átomos e, porquanto, se é certo que o feitiço se volta sempre para o feiticeiro...também é muito certo que a cultura viva, empenhada e sã, ajuda a caminhar na direcção da sabedoria e da liberdade.
O homem de hoje não pode viver enfastiado pelo preconceito, sem objectivos definidos contra o marasmo morno que lhe saiu em sorte permitida pela mediocridade do regimento, sob condição de mandar bolas para o pinhal.
A cultura tem grande força motivadora para caminhar na fé do sonho. É neste contexto ambíguo que emerge a alma das gentes do Couço.
Eu já disse... “TUDO SÃO ÁTOMOS”... e, decididamente, o evento em causa existe e resiste há XXI anos! Eis a questão: “Deverá ser afastado daquela rua com história”?
É claro que não! Esta lógica nem passa por um conflito de classes...mas, pela perda da figura. Era o que mais faltava...
A sociedade politiqueira que a todos faz de conta que iguala na cidade e no campo, quando estorvada pelos “não tomados pela aparelho civil e interesseiro” pode perder modo.
Qual conflito geracional qual carapuça! O calvário está na nossa frente e...
Alto lá voz do mal! Um artista mobilizou, num imenso espectáculo de encerramento da XXI semana de arte cultura e desporto do Couço, lembranças e ambições perdidas. Deu uma sacudidela inesgotável ao conformismo. Nada ficou como dantes.
Há muito que não se via na “aldeia vermelha” (agora Vila e membro honorário – Ordem da Liberdade) tanto povo a sonhar na rua e unido... em redor de um cantor... com expressão quente e interventora.
Três vivas para Fernando Tordo!!!
Aqui vai para complemento final um pequeno e importante apontamento (ilustrado a rigor) editado por Lady Drella (administradora do blog da nação Couço), uma querida e amorosa amiga em formato futuro. Espero que desculpe o atrevimento.
Então é assim:
Que mal?
“ Então não é que pela primeira vez se ouviu Jazz na Praça da festa!!! Pelo menos que eu me tenha dado conta... foi um espectáculo F-A-B-U-L-O-S-O! O homem (Fernando Tordo) falava a linguagem simples do povo que tinha pela frente e trazia uma bateria de músicos extraordinários. Foi muito bom e toda a gente gostou... quer dizer (?) os afectos a uma ala "padralhística" devem ter dado voltas ao caixão, porque sentiram aquilo ao contrário de certeza! Então não é que Fernando Tordo, o artista da noite, e já depois de ter conquistado a praça, destapa uma crítica brutal ao estado de abandono em que se encontra o nosso velhinho cinema Império. Já aqui temos falado nessa situação deplorável!
Fiquem com esta do Tordo: "Que mal terá feito o povo do Couço à gente que é dona do Império para que o tenham assim abandonado?”
RC














