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Quotidianos

A propósito de TGV e OTADão-me licença?
Por Mário d´Abreu

Temos de tirar o país do marasmo em que vive desde há séculos. Basta de "pequenês" e de modéstia pelintra. Tanto mais que estes investimentos poderão de facto atrair o investimento privado (assim os estudos de viabilidade os atraiam e espero que sim) e criar muito emprego em virtude de repercussões económicas em cascata. Trata-se dos tais investimentos estruturais de que a nossa economia tanto necessita e que a estimularão.

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Por Jornal Rostos

Foi precisamente por terem investido a seu tempo em comboios de alta velocidade (TGV), em aeroportos e noutras infra-estruturas do género que os espanhóis conseguiram alcançar o nível de desenvolvimento económico de que hoje desfrutam. Quando deixaremos nós, portugueses de almas pequeninas, de passar a vida a lamuriar-nos dizendo que o país não necessita deste tipo de investimentos que nos permitirão finalmente acompanhar os progressos do resto da Europa e a ela ficarmos mais moderna e rapidamente ligados? Não é esse também o objectivo das instituições europeias (Comissão, Parlamento) ao proclamarem a necessidade de interligação ferroviária rápida entre os diversos países? Não nos bastaram os tempos salazaristas do "orgulhosamente sós" que tantos prejuízos causaram à modernização do país? Ficámos marcados para sempre pelo bafiento salazarismo? E não se revestirão estes investimentos público/privados também de um carácter de serviço público que o Estado deverá suportar na proporção que lhe competir (se a rentabilidade económica não satisfizer por completo os privados), tal como o faz no que se refere ao ensino, à saúde, suportando em parte os custos, etc.?
Que ao menos e finalmente haja um primeiro-ministro, um governo, que promove o estudo da viabilidade económica destes dois projectos, já que outros o não fizeram antes!! Já basta de lamechices e de constantes hesitações. Ficar para trás eternamente, nunca mais. O comboio rápido, o TGV, permitirá a entrada rápida de muitos dos turistas que actualmente visitam Espanha e que, com toda a facilidade, passarão também a visitar Portugal através desta via. E assim deixarão cá euros. Há muita gente que não gosta de viajar de avião por receio. Esses virão então em maior quantidade pois de Madrid a Lisboa será um salto fácil de dar. E não se tratará apenas de turistas, mas também de gente que virá em viagens de negócios. O intercâmbio cultural, empresarial, etc. dilatar-se-á. O nosso país deixará de ser encarado como um país periférico. O aeroporto da OTA contribuirá igualmente para o mesmo efeito e colocará o país nas rotas intercontinentais. O mundo está em evolução rápida: o que hoje é adquirido como realidade absoluta pode não o ser daqui a 10 ou 15 anos.
Temos de tirar o país do marasmo em que vive desde há séculos. Basta de "pequenês" e de modéstia pelintra. Tanto mais que estes investimentos poderão de facto atrair o investimento privado (assim os estudos de viabilidade os atraiam e espero que sim) e criar muito emprego em virtude de repercussões económicas em cascata. Trata-se dos tais investimentos estruturais de que a nossa economia tanto necessita e que a estimularão.
Medina Carreira e Belmiro de Azevedo não concordam? Campos e Cunha, e António Vitorino, pelos vistos, também hesitam? Outros concordarão!! Os Velhos do Restelo também hesitaram: apesar das suas palavras negativas, a viagem faz-se; os heróis não temem os riscos, a ousadia é a sua alma. Chegando à Índia, como chegaram, conquistaram o mar. Neste sentido, por linhas travessas ter-se-á escrito direito (in Diciopédia 2005, DVD, Porto Editora)
Por outro lado, gostava de saber que estudos de viabilidade económica se fizeram no tempo das caravelas e do Infante Dom Henrique... Não fora a utopia e a visão deste, nunca teríamos saído daqui. E naquele tempo nem sequer se sabia muito bem o que se iria encontrar Além-mar e se a aventura seria rentável ou não !! Chamem-lhe agora lírico ! A aventura, porém, valeu a pena. Lá vieram as especiarias, lá vieram os ouros e as pratas, lá vieram os diamantes e depois o petróleo, etc. Terminou o Império e agora o país necessita de novas caravelas sob a forma de TGVs e de arrojo aeronáutico.
Repito: basta de marasmo económico e cultural e basta de chamar criminosos a estes investimentos, como hoje ouvi Miguel Sousa Tavares chamar-lhes.
Basta de "pequenês". Por favor meditem.
Querem os senhores comentadores governar o país? Constituam um novo partido que poderá denominar-se "PDC - Partido dos Comentadores" ... e proponham ao Presidente da República a convocação de NOVAS eleições antecipadas (mais umas...). Se as ganharem, ofereçam-se para governar o país, já que tanta intuição têm para isso e já que ser o país governado pelo PCP/CDU ou pelo Bloco de Esquerda é impensável...

Mário d´Abreu - Alfragide - Licencº em Gestão de Empresas
mariocesar@mail.telepac.pt
Sábado, 23 de Julho de 2005

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