Concerto de excelência no BarreiroPor Manuela Fonseca
Por Jornal Rostos
Na última noite de Outubro, cansada por um dia de trabalho intenso, como de costume (um país que exige sacrifícios redobrados aos professores mais maduros e proporciona actividades precárias, ou nem isso, aos mais novos está, certamente, desnorteado), tive a tentação de ficar em casa, esquecer o meu gosto pela Arte Musical e não ir à Igreja de Santa Maria assistir ao “Concerto evocativo dos 250 anos do Terramoto de Lisboa”, na “Comemoração de 25 anos de Presença do Montepio Geral na cidade do Barreiro” − cito o programa, cuidado sob os pontos de vista temático e formal, que nos aguardava à porta do templo.
Em boa hora venci a inércia e fui assistir, com pessoas amigas, à homenagem aos que, há dois séculos e meio, sofreram na pele um dos mais terríveis fenómenos naturais que assolou Portugal. Que a sua memória não se apague e ajude quem tem responsabilidades políticas a induzir os responsáveis na execução de obras na área da construção civil nos cuidados apropriados de carácter científico e tecnológica no sentido de, em situação idêntica, serem minorados perdas humanas e estragos materiais que nos empobrecessem ainda mais!
A assistência, entusiástica e vasta para uma noite com condições climatéricas desagradáveis, foi brindada com:
•o programa atrás referido, elegante e explícito,
•o cumprimento de horários,
•as execuções brilhantes e apelativas da
Orquestra Metropolitana de Lisboa e de duas cantoras, o soprano Sandra Medeiros e o meio-soprano Francine Romain, superiormente dirigidas pelo maestro Jorge Matta (condutor seguro e criativo do espectáculo que nos foi oferecido) ficarão, por muito tempo, nas nossas recordações auditivas, elevadas ao mais alto expoente como estéticas.
Os compositores David Perez, António Teixeira, António Mazzoni, Sousa Carvalho, todos do século XVIII, três deles com as primeiras audições modernas das suas composições, deram-nos retratos apurados da época; o maestro e os intérpretes foram inexcedíveis sob os pontos de vista técnico e artístico, transportando-nos ao lugar belo e íntimo das emoções elaboradas.
Os artistas, o Barreiro, a Igreja de Santa Maria, o Montepio Geral, a recordação dos nossos antepassados merecem-nos um “Bravo!” que expressa também o desejo de que a nossa Cidade se mantenha na vanguarda da Cultura!
Madrugada de 2 de Novembro,
Manuela Fonseca














