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Quotidianos

Carta Aberta a Paulo CalhauPor Manuela Fonseca

O nosso Barreirense sobreviverá com vontade, com a “fé que tudo vence”, acopladas ao cruzamento de diálogo e pragmatismo como uma imagem de marca da cidade e de modernidade que deveremos construir.

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Carta Aberta a Paulo Calhau Por Manuela Fonseca

Por Jornal Rostos

Barreiro, 8 de Dezembro de 2005

Assunto: resposta à sua Carta Aberta de 21 de Novembro

Caro Paulo Calhau

Foi com grande apreço pela bela peça escrita e não menor emoção em relação às palavras que dedicou ao nosso Futebol Clube Barreirense e à minha pessoa que li a sua missiva, exemplo excelente na harmonia entre significado e significante a ser retido e, quiçá, trabalhado nas escolas, para motivar os alunos dos segundo e terceiro ciclos para a produção em Língua Portuguesa a partir de um documento autêntico (desculpe: a minha profissão, como vê, acompanha-me quase sempre o pensamento).

Acrescento que o documento referido é uma proposta muito séria no sentido de (re)pensar o nosso Futebol Clube Barreirense e até esta cidade e o país. Comecemos pelo Clube que não terá uma história diferente dos outros, fundada no associativismo desportivo, na criação de relações de solidariedade das quais a construção do Ginásio-Sede, os triunfos em patamares elevados de competição em modalidades diversas, os cursos de formação que, ministrados voluntariamente, proporcionaram, pouco depois da fundação daquele edifício, postos de trabalho a várias senhoras, ainda durante a aberração chamada salazarismo (que, coerentemente com a ideologia tortuosa que perfilhava, desprezava o género feminino) serão, para mim, os momentos mais admirados.

Para além da competição, podemos orgulhar-nos de actividades de recreação para o fortalecimento da nossa globalidade física e mental, da melhoria de competências físicas, psíquicas e sociais. Como em tantas outras agremiações, no Barreiro e em Portugal que, como a nossa, entusiasmam os adeptos. Também com tempos de tristeza, próprios dos que vibram com os emblemas, com as camisolas que lhes aceleram os batimentos cardíacos. Vezes sem conta usadas como objecto de pertença querendo dizer que se é de uma família desportiva.

Sabemos que o tempo económico mudou, que a situação financeira da Europa, do país, dos clubes não é fácil, que até a vida dos chamados “Três Grandes” não está, obviamente, nos melhores dias. Mas nós, adeptos do Futebol Clube Barreirense, temos que lutar para que ele seja viável sob o ponto de vista das despesas e das receitas, mentor maioritário de áreas de formação e, se possível, de alguma profissionalização.

O nosso Barreirense sobreviverá com vontade, com a “fé que tudo vence”, acopladas ao cruzamento de diálogo e pragmatismo como uma imagem de marca da cidade e de modernidade que deveremos construir. Que poderá passar pelas claques em demonstração de cortesia e civilidade para com os adversários e os próprios correligionários, com outras forças do Clube empenhadas na promoção de uma manifestação anual de cultura que o/nos engrandeça e seja olhada com respeito fora de portas. Juntar-se-ão à luta pelos melhores resultados desportivos e estabilidade do património material.

Sobreviverá porque nós somos o Futebol Clube Barreirense, nós temos “Uma esperança que não finda”, alicerçada nos verbos querer, continuar, identificar, fazer, inovar. E ver: os pássaros que lá em cima, mesmo quando os ventos os perturbam, continuam o seu voo. E porque, como comentou uma amiga que leu as nossas cartas públicas: “Não podemos consentir, aqui nesta terra com uma tradição tão própria e de que tanto nos orgulhamos, que aconteça ao Barreirense o mesmo que ao Farense!”. E ao Salgueiros, acrescento agora, com solidariedade para uma e outra instituição e o desejo de dias mais radiosos para ambas.

Com toda a consideração, estima e certeza da pessoa do Paulo Calhau na fila da frente dos interesses do Futebol Clube Barreirense,

Manuela Fonseca

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