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Quotidianos

Salvemos o Moinho Gigante de AlburricaPor Rosalina Carmona

O Moinho Gigante encontra-se actualmente numa situação de derrocada eminente, devido às alterações provocadas pela circulação dos catamarãs.
Este testemunho exemplar da arqueologia proto-industrial insere-se numa paisagem de beleza única no Barreiro e é merecedor da protecção e carinho de todas as gerações de barreirenses.

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Salvemos o Moinho Gigante de Alburrica Por Rosalina Carmona

Por Jornal Rostos

O Moinho Gigante de Alburrica, foi construído em 1852 por José Pedro da Costa, conforme indicação da lápide existente na sua fachada.

A família Costa foi detentora de parte considerável da produção moageira local, actividade que foi iniciada em 1801 por Luís da Costa, com a aquisição do Moinho Pequeno (de maré) que, há poucos anos entrou em derrocada total, perdendo-se assim, o único imóvel desta tipologia que ainda existia no Barreiro com possibilidades de reabilitação.

Em meados do século XIX os Costa construíram ainda mais dois moinhos de vento em Alburrica e em 1905, a sua Fábrica de Moagens na Rua Miguel Pais, cujo edifício foi mais tarde adaptado para habitação e ainda lá existe junto ao Largo do Moinho Pequeno.

Tipologia é rara no nosso país

A tipologia dos moinhos gigantes é rara, senão mesmo ímpar no nosso país. Na minha investigação sobre os assuntos da história local, não encontrei até hoje moinhos de vento com estas características, pelo que, presumo, estes dois engenhos constituam exemplares únicos no território continental. O Moinho Gigante de Alburrica era um engenho proto-industrial de tipologia holandesa, característico pelas suas grandes velas em madeira, idêntico ao Moinho do Jim na Av. Bento Gonçalves. O imóvel apresenta três pisos, e segundo a documentação da época, possuía três pares de moendas, cobertura giratória e um sistema exterior que, por meio de um carreto instalado a toda a volta do moinho, fazia girar as velas de acordo com a direcção do vento. Este moinho, tal como os restantes, é propriedade da autarquia que o adquiriu em 1998.

Uma situação de derrocada eminente

O Moinho Gigante encontra-se actualmente numa situação de derrocada eminente, devido às alterações provocadas pela circulação dos catamarãs. Este testemunho exemplar da arqueologia proto-industrial insere-se numa paisagem de beleza única no Barreiro e é merecedor da protecção e carinho de todas as gerações de barreirenses. Por se tratar de um verdadeiro ex-libris do município, os moinhos de vento de Alburrica despertam afectos em todos nós. Representavam até há bem pouco tempo o logótipo da Câmara Municipal, tendo sido lamentavelmente, na minha opinião, substituídos por algo que, afinal de contas, pretende representá-los.

Este «ambiente histórico» singular merece toda a protecção. Não fiquemos apáticos e indiferentes ao seu desaparecimento.

É indispensável tomar medidas

A responsabilidade é de todos nós, Cidadãos, Autarquia, Administração do Porto de Lisboa.

É indispensável tomar medidas antes que seja tarde! É preciso travar urgentemente a erosão fluvio-marítima, provocada pelos catamarãs, que está a destruir Alburrica!

A administração do Porto de Lisboa deve assumir as suas responsabilidades, agindo eficazmente numa área que é da sua inteira competência.

Também a Soflusa não poderá continuar a actuar impunemente como o vem fazendo, pois é ela a principal causa do problema.

A autarquia representa-nos a todos nós enquanto cidadãos barreirenses, que não permitimos que este património histórico único desapareça. Como tal, esperamos que tenha uma posição activa, para que se salve Alburrica e o Moinho Gigante.

Rosalina Carmona
Barreiro, Janeiro 2006

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