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Quotidianos

Felizmente há luar em Palmela e SetúbalPor Ricardo Cardoso

A acção mais sensata de um edil é conceder, ao arrepio da tragédia financeira, apoios aos artistas ao serviço da sociedade popular, às associações locais, ao teatro de amadores e profissionais, às bandas de música e outras iniciativas de marca inovadora. Caso contrário, o candidato, à boca das urnas, foi preferido para quê?

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Por Jornal Rostos

Na complexa situação política que o país atravessa, a facção dos eleitos para cargos ligados ao poder local, deve assumir, como objectivo final, a garantia da qualidade de vida dos munícipes, bem como a preservação da verdadeira identidade nacional, numa responsabilidade articulada com vários agentes de mobilização das populações para novos propósitos. Esta profecia é antiga, como antigas são as mentalidades medíocres, sob a forma vivencial mais diversa. Acresce, que é urgente, não apenas mudar as inteligências, mas activar a cumplicidade no trabalho político. Crise? Qual delas?!!! O que quero dizer é que, infelizmente, o que por aí abunda é palavreado populista e publicitário, sem correspondência naquilo que a realidade e o futuro pedem. Já o grande José Carlos Ary dos Santos, afirmou (com um cravo ao caminho) que há uma crise viva e outra morta. Como em tantas coisas a cretinice e o idiotismo são mercadorias dos seus próprios interesses e das vantagens dos políticos instalados em ridículos aplausos a tais feitos. Numa terra onde toda a gente se conhece é mais difícil ainda o rei esconder que vai numa nudez envergonhada.

A acção mais sensata de um edil é conceder, ao arrepio da tragédia financeira, apoios aos artistas ao serviço da sociedade popular, às associações locais, ao teatro de amadores e profissionais, às bandas de música e outras iniciativas de marca inovadora. Caso contrário, o candidato, à boca das urnas, foi preferido para quê? Que ninguém argumente, com frases de ouvido “o dinheiro faz falta para passeios e rotundas”. Malgrado, as opiniões insertas num á-bê-cê de cordel, os problemas de fundo do nosso país profundo são virtuais. Como virtuais são muitos destinos de “fundos de investimento para cimento à solta”. Tudo depende da maneira “real” de fazer... e, o atraso económico, a falta de recursos, mais isto e mais aquilo com que se bloqueia a subsistência fora da grande Lisboa, repõem a quimera da liberdade. Não basta uma nação integrar as brochuras da união política europeia, é preciso ter gente, no país das pescas, da laranja e do pão, saber ouvir, ser e transformar o padecimento em alegria. Velhos são os trapos e novo é o vinho de Palmela, Beiras e Alentejo. Um magnate nunca poderá compreender que uma parreira é uma obra de arte da natureza, para quem trabalha e contempla “cansado” o pôr-do-sol.

É muito verdade: Há fregueses que não conseguem disfarçar um ódio visceral por quem reproduz cultura que lembre a esquerda com lógica.

Um amigo do entendimento livre costuma lembrar que a revolta ao começar na conversa “em casa de cada um” tudo muda! Para um povo ter razão “neste caso aproximado a parecidos” não é preciso alfabetização impopular, apoquentações, canudos e comboios de palavras. Jamais a cultura de uma população viva pode ser a ultima das últimas prioridades de um regime existencial. Com papas e foguetes também se enganam “tolos”! O pensamento cultural é um investimento pessoal nunca um custo comum!... Para quem não saiba a maioria de afectos é construída “minoria a minoria”… Tudo depende da maneira de fazer?!

Pergunto: É possível permanecer em solidariedade “neste Portugal da Coca-cola” através das descobertas procedentes do 25 de Abril? Sim? Não? Importa ir às causas desta originalidade histórica. Agora, que internamente, vivemos alguma indefinição provocada pelo encontrão tecnológico, é indispensável cortar este cordão umbilical com a pata administrativa e lucrativa da economia europeia que nos envergonha, deprime e tudo controla. Máfia da pobreza em Portugal? Não acredito na pobreza como forma de lucro!!! Acredito na força do sabão macaco “enquanto limpa”.

Amigos da luta intransigente pela chama que tudo modifica, vou mais fundo nesta questão: nos anos setenta, a cultura popular foi sinónimo de imobilismo, hoje, é o único discurso capaz de cativar as gerações mais jovens e expulsar do templo os vendedores de detergente.

E vira o disco: Na complexa situação política que o país atravessa, a facção dos eleitos para cargos ligados ao poder local, deve assumir, como objectivo final, a garantia da qualidade de vida dos munícipes, bem como a preservação da verdadeira identidade nacional, numa responsabilidade articulada com vários agentes de mobilização das populações para novos propósitos. Esta profecia é antiga, como antigas são as mentalidades medíocres, sob a forma vivencial mais diversa. Acresce, que é urgente, não apenas mudar as inteligências, mas activar a cumplicidade no trabalho político.

Com autarcas sem ideologia não há encontrão tecnológico que nos valha...

RICARDO CARDOSO

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