Notas Breves sobre o processo eleitoral para a Concelhia do Barreiro do PSPor Pedro Estadão

Por Jornal Rostos
Dia 25 do corrente mês, os militantes socialistas do concelho do Barreiro vão a votos. Em causa vai estar a escolha das pessoas que irão gerir os destinos concelhios do nosso partido durante os próximos 2, possivelmente 3 anos. Para um partido que acabou de sair de uma derrota eleitoral esta não é uma tarefa fácil, sobretudo se atendermos ao facto de que o partido perdeu o poder que exerceu durante os 4 anos anteriores. Este é um factor de monta, uma vez que implica que uma determinada quantidade de militantes perdeu de um dia para o outro poder, privilégios, posição profissional ou até o emprego. Para os camaradas que se tornaram, nos últimos quatro anos, funcionários políticos ou apparatchiks, ou que na sua actividade do dia-a-dia, nas associações, no trabalho, na vida social, se tornaram dependentes de uma determinada estrutura de financiamento político da sua posição social, a derrota eleitoral constituiu um choque. Esse choque proporciona que a maior parte destes camaradas se agrupem e tentem de alguma forma assegurar a sua perpetuação neste status quo, para que mais tarde possam voltar a tentar um regresso à situação anterior.
Neste cenário, a candidatura de Luís Ferreira foi certamente uma pedrada no charco, diriamos antes, no lago artificial que se tentou criar. Desde o primeiro dia a seguir às eleições que Amilcar Romano procurou escusar-se a quaisquer responsabilidades que possa ter tido nesse processo, dado que Emídio Xavier já havia assumido a responsabilidade política. A honestidade intelectual deveria ter obrigado Romano, à semelhança de outros militantes, entre os quais eu me incluo, por me ter responsabilizado perante a CPC pelo meu silêncio cúmplice perante os erros a que assistí durante os quatro anos de mandato. Eu fui culpado, sem responsabilidades, admiti. Amílcar Romano, com responsabilidades, não, tentou antes encenar uma farsa shakespeareana que o teria feito sair da primeira reunião da CPC que se seguiu às eleições como candidato natural à Presidência da Concelhia. Acredito hoje que fomos felizes pela falta de destreza política e diplomática do camarada Carlos Duarte ter conduzido essa tentativa ao fracasso.
Ora, se a responsabilidade política tem um pai, as culpas não podem morrer orfãs. Todos temos de admitir as nossas culpas. Do que tenho ouvido e visto, verifiquei que Amílcar Romano tem dificuldade em admitir culpas, assume-se como o pai de todas as coisas boas que se fizeram e dirige para os serviços, os subordinados e a retaguarda do partido todas as responsabilidades pelas coisas que correram mal. Não lhe fica bem. Hoje, admiro Emídio Xavier pela frontalidade, coerência e honestidade ao chamar para si toda a responsabilidade, não posso por isso, apoiar a sua substituição pelo inverso, por alguém que ao mínimo sinal de apuro passa a batata quente para os que o apoiam e culpabiliza as pessoas que estiveram lá para o ajudar e os que estariam disponíveis para isso se ao menos tivesse pedido. Não posso apoiar Amilcar Romano porque preciso de um líder que assuma as suas responsabilidades e as suas culpas, como eu assumo as minhas, preciso de alguém com capacidade de reconhecer quando está errado e que tenha a firmeza necessária para mudar de opinião quando isto se verifica. Penso hoje que encontro estas características no Luís Ferreira.
Sendo eu um optimista informado, vejo a candidatura do Luís Ferreira como uma diferença de cena comparável à mudança do Mesozóico para o Paleozóico, implicando obrigatoriamente a marcação de uma etapa de crescimento na maturidade do PS Barreiro. Nesta nova era da acção política, metaforicamente falando, vamos ter de ser capazes de fazer o amor e não a guerra. Já não existe nesta terra quem acredite no papão comunista ou nas variações sobre esse tema que a candidatura de Amílcar Romano vai propor à população Barreirense. A figura de um líder de guerra e dos seus soldados que por ele se deixam abater e o seguem até à morte já não colhe na política actual, e esta tem sido a imagem que Amílcar tem construído em sua volta. Eu apenas tinha acabado de nascer quando foi o 25 de Abril, mas ao completar dezoito anos de política partidária, proponho o contrário, proponho-vos um líder que é capaz de conciliar e atingir consensos, que é capaz de se sacrificar pelas pessoas que o apoiam e que vai ser capaz de passar a nossa mensagem de progresso social, económico e humano à população da nossa terra, proponho-vos a capacidade de diálogo em vez da capacidade de partir tudo o que se encontra pela frente.
Queremos fazer a Política diferente, não a política das conveniências, dos interesses, das vinganças pessoais e dos ódios programados. Neste contexto, por exemplo, custa-me a entender que Amílcar Romano de um lado se lance contra a candidatura da qual Eduardo Cabrita é Mandatário, aqui no Barreiro, e, a apenas 30 Kms. de distância, em Setúbal, já não se importe de fazer parte de uma lista da qual o mandatário é o mesmo Eduardo Cabrita. Trinta quilómetros de incoerência separam o Barreiro de Setúbal em termos de interesses, conveniências e discursos. Para Amílcar, aqui Eduardo é o mau da fita, e em Setúbal é anjo salvador. Queremos fazer a política diferente, a política da defesa dos interesses da população, a política da coerência, a política da igualdade, a política da solidariedade, a política elevada ao estado de debate maduro de ideias entre pessoas que se respeitam. O Luís faz parte de uma geração que compreendo porque é a minha e que sei que está isenta dos traumas e das discriminações que transitaram do antigo regime para este, sinto que é a hora desta geração dar o seu contributo para a história de forma madura e participada, renovando mas respeitando o que foi feito antes, liderando mas ouvindo os mais experientes.
A candidatura do Luís Ferreira à Comissão Política do Barreiro do PS é a candidatura que reune em si o passado, o presente e o futuro do Partido Socialista e, quero acreditar, no que diz respeito à nossa cidade, que transporta a mensagem de futuro e de renovação que necessitamos para vencer a partir de 2009. Estou com o Luís Ferreira porque acredito nele e no projecto que nos une, estou com ele porque ele representa um projecto de união do Partido Socialista fundado na partilha de valores e objectivos comuns. Aos Socialistas Barreirenses apelo para que, no dia 25 votem na lista encabeçada pelo Luís Ferreira, aos restantes cidadãos peço que recebam este nosso projecto de renovação como um sinal claro da disponíbilidade do Partido Socialista para a participação responsável, activa e inovadora na gestão dos destinos da nossa cidade. O Partido Socialista no Barreiro é um partido vivo. Com o Luís Ferreira vamos ganhar 2009.
Pedro Estadão
Militante do Partido Socialista














