Mais do que um imperativo de circunstância, um imperativo de consciência política.Por André A. Pinotes Batista

Por Jornal Rostos
O resultado das eleições de 9 de Outubro de 2005, mas sobretudo o processo que as precedeu, vieram desnudar uma realidade que há muito se encontrava latente na estrutura do Partido Socialista do Barreiro: o partido continua órfão da liderança de Aires de Carvalho. Com as suas virtudes e vicissitudes, Aires de Carvalho tinha o condão de unificar e mobilizar um vasto conjunto de militantes de cariz muito díspar.
Ironicamente, deste “tecido” político, se fez a maior força e simultaneamente a maior fraqueza do PS Barreiro. É disso exemplo a antagonía entre as campanhas autárquicas 2001 e 2005.
A árdua tarefa de suceder ao malogrado líder, coube então ao presidente da câmara Emídio Xavier. Como consequência disso, assistiu-se a uma integral e pouco profícua municipalização do partido. Não obstante o facto de Emídio Xavier ser um homem sério e trabalhador jamais poderia cumular os dois cargos com proveito para o Partido Socialista.
Todo este preâmbulo viria a conduzir a um afastamento entre os órgãos do partido e as suas bases, que se viria a espelhar na fraca fluidez de informação e consequentemente numa campanha eleitoral desorganizada e desgarrada. Atribuir a derrota às medidas do governo central, é menosprezar a importância de todo um trabalho de proximidade com os militantes, gestão do quotidiano, capacidade de lidar com a crítica e abertura à sociedade civil, que não existiram.
A minha análise retrospectiva fica-se por aqui. Na minha opinião, a importância do conhecimento do passado circunscreve-se, não a uma lógica de ajuste de contas, mas somente à contextualização do presente, e em comunhão com este, à projecção do futuro.
É nesta conjuntura que Luís Filipe Ferreira se perfila como candidato à presidência da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista do Barreiro.
Indubitavelmente socialista, Luís Ferreira personifica com a sua candidatura a ruptura com o cânone, a que a classe política há muito se rendeu: de que os lugares de liderança pressupõem um qualquer pré-requisito etário.
A inegável desconfiança que se instalou entre representantes e representados, torna premente que a emergência de um candidato de renovação seja recebida com entusiasmo e não com desconfiança.
Apraz-me destacar que não me englobo naqueles que consideram que o factor idade sustenta por si só um garante de qualidade. A verdade é que neste caso, estamos perante um jovem de valor político inegável, provido de uma grande capacidade de ouvir, dialogar e decidir. Luís Ferreira corporiza um tipo de político diferente, capaz de devolver à política, a nobreza e a transparência, que de direito lhe deveriam pertencer.
Conjugando a sua candidatura no plural; fazendo-se acompanhar por uma equipa que agrega o melhor da juventude, respeitando e dando espaço ao valor e experiência dos menos jovens, será possível reestruturar o partido e simultaneamente garantir a sua abertura à sociedade civil.
Por tudo isto, votar Luís Filipe Ferreira no dia 25 de Março constitui, mais do que um imperativo de circunstância, um imperativo de consciência política.
André A. Pinotes Batista














