Quinzena da JuventudePor Ricardo Moreira
Por Jornal Rostos
O Deputado Municipal Ricardo Moreira, Coordenador da JS no concelho do Barreiro, enviou para o “Rostos” a sua intervenção na Assembleia Municipal do Barreiro que divulgamos integralmente.
Intervenção de Ricardo Moreira, na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro realizada no dia 28 de Abril.
As quinzenas da juventude são normalmente realizadas como momento de exaltação das comemorações do dia nacional do estudante e do Dia Nacional da Juventude.
No Barreiro também tivemos a nossa quinzena da juventude e é sobre este assunto que gostaríamos de deixar algumas reflexões.
Primeiro referir que não conseguimos perceber o tema escolhido para esta iniciativa. Ou melhor, pareceu-nos que nenhum tema foi definido. Aliás, aquilo que foi transmitido na comunicação social é que a iniciativa pretendia fomentar a participação dos jovens, desafiando-os a apresentarem o seu projecto. Foi dito e redito que a quinzena era feita pelos jovens com o apoio da Câmara.
É louvável a intenção mas muito pouco original: na Moita, nos últimos três anos, a Câmara, em Março lança aos jovens o seguinte desafio: “Apresenta o teu Projecto.”
No Barreiro trocámos o verbo e sugerimos “Cria o teu projecto”.
O Barreiro e os jovens Barreirenses têm identidade própria que não se confunde e que gostamos de ver reconhecida.
Dos projectos que foram seleccionados e apoiados pela Câmara não conhecemos os critérios. Constatamos a existência de iniciativas várias, porém, sem articulação, nem coerência visível. Certo que muitas foram pertinentes e acutilantes, como o debate sobre a multiculturalidade, outras reveladoras de extrema generosidade como por exemplo o concerto nos Penicheiros precedido de uma angariação de fundos em benefício de animais abandonados.
Reconhecemos a importância da atribuição de responsabilidade da concepção, preparação e organização de uma actividade. Gostaríamos, porém, de lhe reconhecer, rumo ou enquadramento.
Preocupou-nos que nesta quinzena, não tivesse havido espaço para o debate e a informação sobre saídas profissionais, acesso ao mundo do Trabalho entre outros temas.
Inquietou-nos que esta quinzena que foi publicitada com um grafitti tenha elegido como referência um mural a que chamou – e porventura bem – arte urbana. Esqueceram-se, contudo, os responsáveis de informar, divulgar e esclarecer que a dita arte urbana é uma forma de expressão artística contemporânea mundial, fruto de um passado muito recente da vivência juvenil das cidades.
Desprezaram os responsáveis a oportunidade para valorizar esta forma de expressão artística, assinalando-a e diferenciando-a daquilo que é a degradação do espaço público. Sugerimos que, num futuro próximo, e porque não imediato, sejam adoptadas iniciativas que enquadrem outras formas de arte urbana e que de forma veemente afirmem que aquilo que vamos ver não é arte. É degradação do espaço público, é violação de propriedade privada, é ofensa à qualidade de vida de todos nós.
Foi pena ter-se desperdiçado esta oportunidade porque tudo isto que vamos ver está a menos de 50 metros do novo mural barreirense.
Bem hajam os artistas. Os verdadeiros artistas!














