“O direito e o dever de participar”Por Paulo Calhau

Por Jornal Rostos
Realiza-se hoje, pelas 21 horas, uma importante Assembleia Geral Ordinária do Futebol Clube Barreirense, com a seguinte ordem de trabalhos:
1. Apreciação, discussão e votação do relatório e contas de 2005
2. Eleição de corpos gerentes para o biénio 2006-2008.
O panorama presente do Associativismo, e em particular do Associativismo Desportivo, atravessa momentos de crise, cujas diversas causas não cabem no espaço e objectivo deste texto, mas que configuram e traduzem as profundas alterações económicas, sociais e culturais ocorridas no nosso país nas últimas décadas.
Um número significativo e crescente de famílias portuguesas está progressivamente afectado por um perigoso e insustentável endividamento, a situação económico-financeira do pequeno e médio empresariado comercial e industrial está altamente fragilizada, a capacidade de endividamento ultrapassada em muitos municípios e praticamente esgotada nos restantes.
Consequentemente, o apoio e o investimento, individual e colectivo, dos associados, das empresas e dos executivos autárquicos, têm vindo paulatinamente a decrescer, limitando e pondo em causa a capacidade de afirmação e mesmo de sobrevivência, de um número importante das agremiações desportivas portuguesas.
O Futebol Clube Barreirense, ao contrário de outros prestigiados, históricos e respeitados clubes, tem conseguido ao longo dos últimos anos responder, ainda que com extrema dificuldade, a crescentes dificuldades e estrangulamentos financeiros, decorrentes de uma preocupante e duradoira conjuntura económica do país.
Há cerca de um ano, a venda de património (Estádio D. Manuel de Mello e parcela de terreno do futuro Complexo Desportivo da Verderena) correspondeu, como foi inequivocamente demonstrado em Assembleia Geral e aí maioritariamente sufragado pelos nosso consócios, a uma decisão indispensável à sobrevivência do Futebol Clube Barreirense.
Assegurada a sua viabilidade de curto prazo, importa agora que os Barreirenses, todos os Barreirenses, tenham consciência do momento decisivo que o seu Clube atravessa, em que a legítima ambição de um sério e moderno projecto desportivo deve obrigatória e necessariamente adequar-se às exigências e rigores orçamentais, garante da sua sustentabilidade e perenidade.
Uma parte significativa da receita decorrente da alienação patrimonial, deverá ser orientada para o desenvolvimento das débeis e obsoletas infra-estruturas desportivas do Futebol Clube Barreirense, condição indispensável para a disponibilização da prática desportiva a um número crescente de cidadãos, a sedução da nossa juventude, o fomento de talentos que possam ser uma base essencial e maioritária na constituição das nossas equipas de alta competição.
No entretanto, e enquanto não se concretizarem os projectos imobiliários que permitam a obtenção, dentro de 4-5 anos, de um suporte financeiro mensal indispensável à cobertura parcial das suas despesas, o nosso Clube permanecerá controladamente deficitário, factor imprescindível para a manutenção das suas modalidades mais representativas, o Futebol e o Basquetebol, em patamares competitivos dignos e suficientemente atractivos para os nossos adeptos.
A informação, o esclarecimento e a participação dos associados é fundamental neste importante momento de viragem, pelo que a sua presença na Assembleia Eleitoral de hoje assume mais uma vez uma enorme relevância e pertinência.
A presença, activa e empenhada, dos meus consócios esta noite, no mítico Ginásio-Sede, que completará 50 gloriosos anos de vida em 20 de Maio próximo, será a demonstração da sua inabalável vontade de construir um Barreirense novo, um Barreirense com futuro, um Barreirense de sucesso.
Paulo Calhau
Sócio nº 315 do FCB














