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Quotidianos

“FELIZMENTE NEM TODOS OS FILHOS DAS ELEIÇÕES SÃO IGUAIS”Por Ricardo Cardoso

ORA CÁ VAI: Não é forçoso seguir aulas de assombro na Universidade dos aforismos para perceber que em 70% das autarquias deste Portugal ambicioso a cultura não é um bem comum de grande precisão.

4 min de leitura

Por Jornal Rostos

Ela, a malvada, como dirão certos galos e aprendizes de poleiro, é intuitiva e, pelos regulamentos, só atrapalha. Um autentico desperdício de recursos e vontades. Concordo com a parte intuitiva o resto é merda. Manda o Governo que a nação não coma muito. Se formos minimamente perspicazes concluímos que a tal nação somos nós. Pois!!! Pois!!! A tal nação que não deixa de ficar chocada com a porção de desaproveitamento por falta de aptidão de muitos filhos das eleições. Até parece que pensar bem em regime de crise retarda a chegada do 112.

Eu reproduzo sem cobrar: Da boa gestão da cultura se faz, com encontros e desencontros, a vida humana.

Por esta excelência da leitura em jeito de declaração não amigável é bem possível que o telefone de alguém já faça a tocadura da circunstância relativamente ao desenrolar da acção. Sempre foi assim… Aliás, consta que em muitos lados o circo da mediocridade está de pé a partir de empresários que substituem responsabilidades públicas e investimentos associados por pacotes anuais de serviços. Isto retumba a irresponsabilidade. É confundir a palha com o palheiro. Uma coisa é a feitura outra coisa o consumo. No primeiro caso, nos municípios onde as populações são servidas por estruturas e animadores capazes os hábitos de lida são mais frequentes, enquanto que nos burgos do “não há nada para ninguém” as praticas culturais constituem um flagelo terrível. Às vezes rimos, às vezes escrevemos de revolta e… não alinhamos… nas tendências do momento: espectáculos com brasileiros e afins de qualidade duvidosa, grupelhos de faz de conta (constituídos nos compridos corredores do poder por gente que devia funcionar noutro ofício) para descentralizar o que é muito mau pelas freguesias dos enganados, feiras, Carnaval e marchas. E viva o balão em noite quente! Talvez esteja errado.

Reacção imediata de um enganado: Pá! E a malta que não alinha nessas renovadas tendências?

Respondo: Talvez nem isto nem aquilo porque só metade da população se sacrifica ficando em casa para que a metade restante possa “saltar a fogueira do evidente”.

Com a legitimidade que me dá o facto de ter em antena na Pal Fm um programa chamado Arestas de Vento e que é no género o mais antigo do país (19 anos de artes e ideias produzidas na rádio) recomendo o seguinte evento para sexta- feira, dia 19 de Maio, pelas 22 horas:

«Tordo canta Nobel - 40 anos de canções na sala Jorge Sampaio do Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra»

Depois que uma carreira extensa de quatro décadas, o cantautor lisboeta Fernando Tordo materializou um de seus grandes sonhos: musicar poemas de diferentes Nobel da Literatura. Colaborador fiel de Ary dos Santos e voz principal de uma das formações portuguesas mais importantes dos anos sessenta - os Sheiks -, Fernando Tordo apresentará neste espectáculo o seu tributo aos laureados com o Nobel da Literatura.
O disco lançado em 2005 e que dá origem ao espectáculo que agora apresenta, contém doze poemas de escritores reconhecidos com a máxima distinção da literatura universal. Em cinco línguas diferentes interpretará versos assinados por Joseph Brodski, Octavio Paz, Saint-Jonh Perese, Eugenio Montale, Wislawa Szymborska, Pablo Neruda, Rabindranath Tagore, Harry Martison, Derek Walcott, Vicente Aleixandre e Seamus Heany, além do seu amigo e compatriota José Saramago.

Fernando Travassos Tordo, cantor, autor e compositor, nasceu em Lisboa em 1948. Este espectáculo fará uma retrospectiva dos seus 40 anos de actividade musical, com temas que marcaram a carreira de um músico apontado como uma das maiores referências do panorama musical português.

R C

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