A descrença na classe política também chegou às juventudes partidáriasPor André A. Pinotes Batista

Por Jornal Rostos
As juventudes partidárias são em primeira instância, associações juvenis. Como tal, padecem das mesmas necessidades e problemas que qualquer associação jovem: a falta de meios financeiros, a falta de mobilidade dos seus filiados, a dificuldade de se fazerem ouvir, entre outras coisas que derivam de uma sociedade que teima em não capitalizar a energia dos seus jovens e a experiência dos mais velhos. A isto, as estruturas do associativismo juvenil, independentemente do seu cariz, respondem com voluntarismo e força de vontade, esta é uma luta transversal.
A todos os problemas adjacentes aos factores que supra citei, soma-se, no caso das juventudes partidárias, um factor intrínseco – é que são efectivamente estruturas partidárias. O leitor menos atento pode pensar que acabei de cometer uma redundância desnecessária. Mas não! Por culpa própria do corpo político-partidário, aqueles que ousam auto intitular-se políticos, geram imediatamente um peso sobre os seus ombros, e a isto as estruturas “juniores” não escapam. Se me permitem uma metáfora infeliz, tal como o Sol, também o descrédito quando nasce, nasce para todos, não escolhe idades, sexos ou nomes. Concluindo, a descrença na classe política também chegou às juventudes partidárias, que diga-se em abono da verdade, não foram capazes de demarcar a sua imagem da dos partidos aos quais estão afectos. Ou porque não havia nada a demarcar, ou porque lhes faltou capacidade de afirmação.
Por outro lado, não posso deixar constatar que vivemos num país de pessoas conformadas e mal dizentes. Infelizmente faz parte da nossa matriz cultural. Não temo afirmar que existe falta de cultura democrática no nosso país. E não se pense que o juízo de valor subentende alguma minoração da soberania das decisões da nossa população; subentende, isso, sim uma crítica a todos aqueles que, cada vez mais, se demitem de ser cidadãos e que se assumem como seres civicamente amorfos, que se limitam a ser meros ocupantes de espaços, seja o referencial um sítio, uma aldeia, uma vila, uma cidade ou o próprio país.
Vou citar três pessoas que de diferentes formas respeito imenso. Pacheco Pereira, conhecido membro do PSD, afirma que: “As juventudes partidárias são trampolins para cargos de nomeação política, vulgarmente conhecidos como tachos.”; António Cabós Gonçalves fundador do PS Barreiro e meu padrinho e sobretudo amigo, afirma por sua vez que: “Os partidos são associações de malfeitores e que portanto as juventudes partidárias são jardins escola de malfeitores”; Por último, o jovem Barreirense David Leite Neves, presidente da associação de estudantes da Escola Secundária Alfredo da Silva, recentemente eleito, no projecto Hemiciclo 2006, como o "Melhor Deputado" a nível nacional advogou num debate há não muito tempo que: “Felizmente não pertenço a nenhuma juventude partidária”.
Da minha experiência pessoal, posso afirmar peremptoriamente, que não deixo de entender a génese destas posições, porventura com a mesma veemência com a qual discordo de todas elas. Também os há, aqueles cujo móbil “anti-jota” é pura e simplesmente, o pânico de que estas possam “produzir” ou projectar jovens, que pelas suas capacidades, venham “fazer sombra” aos comodamente instalados. Nada mais tacanho e reaccionário.
As juventudes partidárias são estruturas que podem e devem ter uma palavra a dizer. São apesar de tudo o que anteriormente afirmei as associações juvenis com maior número de militantes e que podem servir de motor para o associativismo juvenil não partidário.
Para que esta mensagem tenha força, todos são poucos. Não vou ao ponto de afirmar que estas são representativas ou representantes dos interesses dos jovens, mas devem fixar esse desígnio mesmo que não o alcancem. Se assim for, será sintomático de um bom caminho e fomentará boas práticas cívicas. Tal como a perfeição é um excelente objectivo mas uma péssima obsessão, assim deve a juventude marcar a sua acção.
Como jovem que sou, abomino paternalismos gratuitos e espero que, de tal, nem vestígios se detectem no meu escrever. Move-me apenas a certeza de que é possível fazer melhor.
Todos artigos têm uma função além da meramente opinativa, e o meu é bastante claro. Entendam esta pequena dissertação, como um apelo aos mais jovens para que adiram sem pruridos a associações juvenis partidárias independentemente da sua cor partidária, e aos menos jovens, que nesta matéria se preocupem mais em ser profícuos na simbiose experiência/irreverência do que em interferir.
Por vós espero.
André A. Pinotes Batista*
andrepinotesbatista@gmail.com
www.voxpolitica.blogspot.com
*Militante da Juventude e do Partido Socialista do Barreiro.














