O Princípio de Peter à maneiraPor Jorge Paulo Carvalho
Por Jornal Rostos
Portugal é um país na fronteira do progresso, e tem-no sido há séculos. Naturalmente isso provoca invejas e o aparecimento de muitos inimigos, sendo pois necessário apostar numa atitude dissimulada como se fôssemos efectivamente estúpidos.
Já assim foi no tempo do Império! Quando os ingleses e os holandeses, entre outros, ficavam primeiro com o ouro, os diamantes, as especiarias e outras quaisquer riquezas das nossas colónias e finalmente com as próprias colónias fizemos-lhes acreditar que isso era contra os nossos interesses e que exprimia uma qualquer superioridade deles… Nunca perceberam que tinha sido de propósito.
O que a gente se tem rido à custa deles!!!
Nas últimas décadas temos apontado a nossa mira para a área da gestão, onde deixámos acreditar a uma palerma qualquer, claro que estrangeiro, que ele tinha desenvolvido o Princípio de Peter.
Já há muito tempo que em Portugal se assistiu à tomada de consciência dos cuidados a ter com todos aqueles que foram agraciados com o dom da incompetência, em vista da sua importância para o país, e devido a, essencialmente, duas razões:
- É importante que existam (lembremo-nos do “ainda bem que há pobrezinhos” etc.), ou seja, uma razão moral!
- O garantir a preservação de uma subespécie que se previa ameaçada por esse mundo (cada vez há menos noutros países e assim teremos um reforço para o turismo temático), ou seja, uma razão económica!
Para garantir o sucesso deste desígnio nacional e para voltar a atingir a necessária dissimulação (o que a gente ainda se vai rir!) criou-se a variante nacional em restaurantês do linguado au meunier e, quase simultaneamente, o Princípio de Peter à maneira, de que se espera grandes coisas.
Vale a pena comparar com o que se passa noutros lugares para assim avaliar as possibilidades e critérios de total realização do que se quer venha a ser uma das maiores conquistas da ideia lusitana (ideia Luche???).
Nos Estados Unidos (tão grandes que eles são e a passar ao lado desta oportunidade...) quando alguém atinge o seu Nível de Incompetência, e a não ser que se trate de um truque engenhoso de um qualquer vocacionado para a falência, ele é removido da cadeia organizacional, em geral por despedimento, havendo no entanto conhecimento de grupos especializados noutros métodos de excisão.
No Japão, e porque o respeito pela imagem da hierarquia é muito importante, a pessoa é trasladada para uma posição em que não tenha qualquer espécie de efeito no funcionamento geral do sistema, podendo assim salvar, a ela e à hierarquia, pelo menos um bocadinho da face; quando isto não resulta podem sempre mover o gabinete da pessoa em causa para o de melhor vista da sede da organização, estudado de maneira a ter resultados previsíveis para tentativas de voo planado.
Em Portugal, felizmente, e já com várias décadas de experiência, se alguém se distingue e atinge esse tal de Peter é imediatamente aproveitado em funções tão ou mais importantes onde ele possa, por um lado, ser tão ou mais bem sucedido na sua forma futuristicamente ousada de fazer as coisas, por outro influenciar o sistema com vista à propagação da subespécie, garantindo assim um futuro risonho para o Princípio de Peter à maneira e para a prossecução dos nossos sonhos.
Tenhamos fé no futuro!
Deus seja louvado!
Jorge Paulo Carvalho
P.S.
Citações:
Time is on our side - Rolling Stones;
I love mankind; it´s people I can´t stand - Linus
Se as pessoas fossem boas não havia humor – talvez Moi














