Os Exames Nacionais e o Princípio da IgualdadePor António José Ferreira
Para quem anda sempre a “ encher a boca” com a ética republicana, haja vergonha, meus senhores!... (e sobretudo minha senhora, Ministra da Educação).

Por Jornal Rostos
Sendo Portugal uma República, daí decorre que se rege constitucionalmente pelo Princípio da Igualdade, isto é, aos cidadãos deve ser proporcionada igualdade de oportunidades.
Sendo os Exames Nacionais um modo a priori igualitário (sabendo nós que de facto assim o não é), de aferir conhecimentos e seriar candidatos ao Ensino Superior, poder-se-ia pensar, segundo legítimas expectativas, que a todos os examinandos deveria ser proporcionada uma igualdade inicial de circunstâncias para a prestação de provas; provas essas de que vai depender o seu futuro, não apenas imediato, mas até, a sua vida profissional com tudo o que isso implica.
Também nesta matéria me parece que a governação dita socialista enveredou por aquele tipo de “ Igualdade” que Orwell tão bem descreve em “ O Triunfo dos Porcos”, cujo lema era o de que “ todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros”, é que mutatis mutandis, aos alunos do 4º Agrupamento do 12º ano ( Humanidades), coube em “ sorte” a realização de uma Prova de Exame por dia , entre segunda-feira, 19 de Junho e sexta-feira, dia 23 de Junho; pormenorizando: Português A – dia 19, Sociologia - dia 20, História – dia 21 , Filosofia – dia 22 e Inglês – dia 23. Atente-se que esta é uma série de disciplinas bastante comum entre os alunos do referido Agrupamento, pois, até se dará o caso de um aluno que tenha Introdução ao Direito e Inglês, por exemplo, ter de realizar ambas as Provas no mesmo dia, a primeira às 9 horas da manhã e a segunda às 3 da tarde.
Vejamos então o que se passa no 1º Agrupamento (Científicos) numa série igualmente bastante comum de disciplinas: Português B- segunda, dia 19 ; Biologia – quarta, dia 21 ; Química – sexta, dia 23 ; Matemática – terça, dia 27; Física – segunda-feira, dia 3 de Julho.
Ora, aquilo que os alunos de “Letras” vão ter que fazer numa semana, os seus colegas de “ Ciências” farão distribuído por três semanas; é óbvio que não me passa pela cabeça censurar a oportunidade dada aos últimos, mas tão só lamentar e protestar contra a falta de equidade, revelada pela ausência de igualdade de oportunidades que muito prejudicará os primeiros.
Bem sei que muita gente pensa (?) que “ letras são tretas”, o que não esperava, é que fossem capazes de passar ao acto, sem sequer terem a preocupação de salvar as aparências.
Para quem anda sempre a “ encher a boca” com a ética republicana, haja vergonha, meus senhores!... (e sobretudo minha senhora, Ministra da Educação).
Post Scriptum: pelos vistos aquilo que o Ministério da Educação considera anti-pedagógico quando praticado pelas Escolas, mais de três testes na mesma semana, passa a não o ser, quando praticado pelo próprio Ministério, com a agravante de não se tratarem de simples testes mas de Exames Nacionais. Tão “preocupada” que a Sr.ª Ministra se tem revelado com as suas condições de realização no que respeita aos fenómenos contestatários que possam vir a perturbá-los.
Pois, pois, bem prega Frei Tomás …
António José Carvalho Ferreira
( Professor e Encarregado de Educação )
Barreiro,














