Em AlmadaFernando Tordo “O SOL DAS CANTIGAS”
Por Ricardo Cardoso
Por Jornal Rostos
“Dizia o meu pai que aquilo na outra margem havia de crescer tanto que a gente em Lisboa até se ia “banzar”. Tinha razão o velho Tordo, homem das cortiças e das boas maneiras, homem de vir ao “Gonçalves”, e vá de mariscada que até fazia impressão, num tempo de gente séria a tempo inteiro e de repressão que até enjoava. A outra margem daquele tempo é um milagre sobre o qual nunca se pensou nem ninguém se pôs a adivinhar. A outra margem é o mesmo lado da cintura de várias cores, que quem a pinta escolhe de vermelho, porque o sol às vezes é isso.
O sol nas canções, as várias cores da cintura de quem usa à cabeça o vermelho das emoções.”
Serve o texto anterior da autoria de FERNANDO TORDO, o cantor português com mais personalidade para avisar a malta da margem Sul que sábado, dia 29 de Julho, vai acontecer, pelas 22 horas, um grande espectáculo desse notável interprete, no Auditório Municipal FERNANDO LOPES GRAÇA, em ALMADA.
É urgente aguentar este tempo inútil e cinzento… partindo ao encontro de cantigas feitas nos braços de poemas bem traçados.
Uma raridade ao alcance dos mais sensíveis às coisas da cultura…
Fernando Tordo não é um simples artista, mas… um artesão. E o grave da “questão” é a escola não ensinar que depois de Zeca Afonso é o criativo das palavras com música com mais significado em Portugal. É como digo: As autarquias devem descentralizar e estimular iniciativas que ajudem os menos preparados na evolução de todos os dias (esta iniciativa em Almada é um bom exemplo vivo). E os bons espectáculos de cantigas são fundamentais para um amadurecimento fora de Lisboa.
Uma das maiores riquezas destas terras vizinhas é o povo trabalhador, honesto e bairrista. Pergunto: Que força é essa que, em nome do entretenimento, introduz subprodutos em feiras e romarias? Politica de circunstância para pobres de algibeira e juízo? Chegamos ao máximo da comédia “dei a organização do certame, na sua totalidade, ao empresário fulano tal”. Por outra lábia, em feitio de tradução, o querido amigo foi enganado e, só lhe resta, distribuir o pacote (com laçarote e tudo), pelos adeptos do engano. Isso não serve para construir um país. Por uma nação mais interessante é interessante ter gente interessante nas animações feitas na parvalheira. Pudemos escrever o seguinte: A filosofia inerente ao viver sem qualidade existencial reproduz a necessidade que conduz ao inconsequente e, caros leitores, a cultura verdadeira serve para um homem saber estar saber ser e, sobretudo, saber escolher, mesmo canções.
Ricardo Cardoso














