Saltar para o conteúdo
Quotidianos

A presente falta de sensibilidade para a cultura por parte de políticos e eleitos quer dizer o quê?Por Ricardo Cardoso

Não é verdade que muitas autarquias jogam no sistema preferindo manifestações populachas e estádios de futebol a palcos onde se poderiam realizar fantásticos eventos? E já não falo da precariedade e abandono a que estão sujeitas bibliotecas municipais e similares desde o verde e castelhano Minho até ao Al Garbe.

3 min de leitura

Por Jornal Rostos

A presente falta de sensibilidade para a cultura por parte de políticos e eleitos quer dizer o quê?
Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente
Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente
Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.
O que é preciso é termos confiança
se fizermos de maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.
O Futuro - José Carlos Ary dos Santos
Que venha a memoria: No 25 de Abril de 1974 o Movimento das Forças Armadas derrubou o regulamento da ditadura que durante 48 anos afogou em silêncio e repressão a nação Portuguesa. Com a revolução veio a Liberdade, o cultivo espontâneo dos cravos na lapela e, o derretimento da esperança, numa vida melhor. Os jornalistas contaram para todo o mundo a grande transfiguração de um pequeno país situado entre os muros de Salazar (para que os pobres não espreitassem) e o deserto mais deserto de ideias culturais. Foi, verdadeiramente, uma configuração colectiva inovadora para o planeta do desejo. Afinal, a realidade podia mudar. Era possível transformar a tirania em emancipação. Ao contrário do pregão da máquina de propaganda do fascismo “o povo era namorado da actividade libertadora”. Teatro, cinema, canções, pintura, tudo fazia parte do mesmo processo de vivência cultural. Perguntas em tempo de intensa globalização: A presente falta de sensibilidade para a cultura por parte de políticos e eleitos quer dizer o quê? Como é possível colocar os interesses culturais permanentemente fora da discussão do desenvolvimento? Só falta, para nosso grande divertimento, tornar obrigatório, nas escolas básicas, o estudo (já vi isto mais longe!) dos impactos do lucro na cultura. Conheço salas de espectáculo, pátria fora, em obras há seis e mais anos. Outras fechadas em nome do mais absurdo imobilismo das rezas. Outras nem numa cortesia nem noutra… simplesmente em ruínas. Não se vê, distante nem perto, o futuro da promoção cultural e da valorização das “casas d’alma” com história nas gerações passadas e, possivelmente, naquelas que ainda não chegaram. Escrever (cuidado! É de um jovem pensador chamado Lenine) agora e aqui “aprender aprender sempre” dá prisão? Sei lá?! Bom! O nada não existe! Se existisse, pelo menos por enquanto, não era nada. E se alguém tiver que ir dentro que vá a ribatejana Lady Drella.
Não é verdade que muitas autarquias jogam no sistema preferindo manifestações populachas e estádios de futebol a palcos onde se poderiam realizar fantásticos eventos? E já não falo da precariedade e abandono a que estão sujeitas bibliotecas municipais e similares desde o verde e castelhano Minho até ao Al Garbe.
Caros leitores, dinamizar e favorecer acontecimentos culturais dignos de todos os favores da raça não é regressar ao tenebroso PREC! Terras como Palmela, Setúbal, Almada, Couço, Baleizão, entre outras, merecem ser enobrecidas com pólos de cultura adequados às necessidades da comunidade.

Ricardo Cardoso

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção