A opinião é livre mas os factos são soberanosPor Aliette Martins
No jornalismo, cada frase, cada palavra, deve ter a sua importância. Não se tenham dúvidas, os jornalistas, aqueles que abraçam a ética e acreditam nos valores humanos, aprenderam a lidar com as palavras como se elas fossem ouro.
Num jornal as opiniões são livres, mas os factos devem ser soberanos.
Por Jornal Rostos
Divulgamos o Editorial da edição de 1 de Setembro, do “Jornal Litoral Alentejano”, que assinala o 5º Aniversário daquele órgão de comunicação social.
A opinião é livre mas os factos são soberanos
Passados que foram cinco anos a fazer com que o “Jornal Litoral Alentejano” continue a dar expressão escrita e visual ao que de mais relevante se vai registando nos cinco Concelhos da Região Alentejo Litoral em que desenvolve a sua actividade – Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Odemira – a equipa não enjeita as dificuldades sofridas, porque, a soma positiva alcançada na opinião pública, tem sido um grande estímulo para prosseguirmos, certos de podermos contar com a opinião dos “nossos” articulistas, assim como de toda a colaboração prestada pelas Autarquias nas pessoas dos seus Presidentes e, indiscutivelmente, a “presença” dos nossos leitores, aferida pela aquisição das edições que honramos em fazer sair todos os dias 1 e 15 de cada mês.
Com a convicção de que longe vão os tempos em que os leitores acreditavam que uma coisa era verdadeira "porque vinha nos jornais", sabemos que essa crença popular inverteu-se. De palavras sagradas, as notícias divulgadas pela imprensa tornaram-se, aos olhos de muitos que as lêem, muito provavelmente falsas ou, em qualquer dos casos, suspeitas. Exemplos disso não faltam.
Quando vemos os telejornais, a primeira questão que nos surge é "de que é que estarão eles a tentar convencer-nos, desta vez?"
Não há actualmente análise de taxas de leitura ou de audiências que não inclua, nas suas variáveis, esta desconfiança: Que jornal (rádio ou TV) prefere? E qual considera o meio de comunicação mais fiável?
Os jornais estão numa estranha posição. Nunca foram tão solicitados como no próprio momento em que são alvo das mais duras críticas.
Independentemente da opinião que tenha sobre os jornalistas, a mais ínfima das associações assume em geral – como primeiro objectivo – conseguir uma "cobertura mediática".
“Passar na televisão ou vir no jornal" passou a ser uma etapa aceite como necessária para "existir".
O Jornalismo, expressão máxima da comunicação social, é uma actividade profissional deveras complexa, ora agradando a uns, ora desagradando a outros.
Em resumo: um alvo sempre fácil de criticar. Mas também, um corpus que sempre tem o seu espaço, a sua pertinência, a sua indestrutibilidade e de tal feição e jeito que, numa eventual ausência dos media, ditada por quaisquer circunstâncias (políticas, históricas, económicas), teríamos de enfrentar o vazio, a solidão, o desconhecido, muito embora tivéssemos a noção de que o mundo continuaria a ser habitado por milhões e milhões de seres humanos.
Sem nos determos em pormenores sobejamente conhecidos, com exemplos gritantes de como muitas vezes os poderes "funcionam", lembremo-nos apenas de que, mais graves, serão as iniciativas que pretendem dificultar ainda mais o trabalho – já em si difícil – dos jornalistas.
Ninguém terá dúvidas de que o jornalismo constitui uma actividade profissional de grande dificuldade e de grande complexidade e, por isso, repito, um alvo fácil de criticar.
No jornalismo, cada frase, cada palavra, deve ter a sua importância. Não se tenham dúvidas, os jornalistas, aqueles que abraçam a ética e acreditam nos valores humanos, aprenderam a lidar com as palavras como se elas fossem ouro.
Num jornal as opiniões são livres, mas os factos devem ser soberanos.
Dentro desses princípios básicos, e na luta diária para que a comunicação se estabeleça entre os cidadãos, acreditamos na Imprensa Regional, no que tem de proximidade junto das comunidades a quem se destina, procurando dignificar o homem na luta que se tornou, nos dias de hoje, uma tarefa de todos, dos que a fazem, dos que nela aparecem, dos que a lêem.
Nesta data em que assinalamos o nosso aniversário, para além do breve “retrato” que acima revelamos sobre o Jornalismo em que acreditamos, queremos aqui deixar uma palavra de muita gratidão a todos que, neste percurso, nos têm acompanhado, onde as crises são para vencer, na procura – inquestionável – da qualidade.
Um Bem-haja a todos!
Aliette Martins














