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Quotidianos

Agora, no Portugal do compromisso com a qualidade culturalPor Ricardo Cardoso

É assim: Ouvir a poesia de Ary musicada por Fernando Tordo é saldar uma dívida para com a Língua Portuguesa. Só os tontos não percebem que o país tá tonto de mediocridade. Outras musicas. Pois!!! Enquanto o povo corre alegremente atrás da bola e na frente dos cornos da toirama.

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Por Jornal Rostos

PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

E assim, até Novembro de 75 deu o bom do Fanhais asas a muitos bons poemas de Sophia de Mello Breyner e de outros belíssimos autores. Quantos jovens e desenvolvidos conseguem juntar numa ponta autor criação música nesta criação em causa? Cultura a menos na sociedade do conhecimento (…) ou (…) koltura a mais na irmandade da porfia? Esta falha é demasiado incisiva na evolução social em movimento para ser branqueada ao som de uma música pimba (daquelas que fazem as delicias de muita gente boa em esboços locais de cultura) e, com isso, desaparecer na bruma do esquecimento mais numerário e luso. Pois!!! Caro leitor, se quer saber outro caso para contar aos alunos da aprendizagem dos préstimos então vá fundo nesta cogitação. É assim: Ouvir a poesia de Ary musicada por Fernando Tordo é saldar uma dívida para com a Língua Portuguesa. Só os tontos não percebem que o país tá tonto de mediocridade. Outras musicas. Pois!!! Enquanto o povo corre alegremente atrás da bola e na frente dos cornos da toirama. Tão? E dá ocupação segura. Agora, no Portugal do compromisso com a qualidade cultural a falta de ideias estruturais é retaliativa a partir da letargia quotidiana e lenta na confiança do desencontro com a prática, devido a antagonistas de secretaria com mandatos de imperícia (…) assinados em branco pelo Zé-povinho.
É preciso fazer funcionar as luzes do pensamento positivo para perceber o porquê de Portugal ocupar o espaço que lhe confere o seu tamanho real, uma quinta parte da Península Ibérica. Porra! Há quem queira com esta merda gerir uma corporação com a Espanha. Se isso acontecer (…) façam arraiais (…) com castanholas sibilantes e fados de alguidar a tiracolo. A mediatização do casamento entre vizinhos vai, naturalmente, dar rendimento. Bem-haja o matrimónio. Por hoje é tudo. Há palavras que fazem a boca ficar presa? Zeca, Fernando Tordo (especialmente este artesão!), Ary, Carlos Paredes, Casanova, Adriano. Pois!!!

RC

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