O que faz de nós portugueses?Por Nuno Cavaco

Por Jornal Rostos
Uma pergunta destas não tem resposta fácil. Alguns dirão que um território habitado por um povo durante oitocentos anos faz com que cada um de nós assuma a sua nacionalidade. As leis, ou as regras, que nos permitem a convivência mais ou menos pacífica, seriam outros factores apontados. Os laços familiares e ligação à terra de certeza que também seriam referidos. A afirmação, sou português, quando é usada reflecte tudo isto e sublinha uma identidade colectiva, uma identidade nacional, a identidade portuguesa. O governo de um país deve ter em atenção todas estas características, fomentando assim a ligação ao colectivo. A nossa Constituição da República indica o caminho.
Hoje na agenda política está a reforma da Segurança Social. A discussão centra-se nas dificuldades financeiras que este sistema está a sofrer. Por um lado P.S.D. e C.D.S. P.P. defendem um sistema misto, entre público e privado, o que a médio prazo levaria à falência da parte pública, pois se esta está a atravessar dificuldades, a entrada de menos dinheiro seria a estocada final, ficando somente o sector privado e a destruição de laços de solidariedade entre os portugueses. Isto interessa a quem? A resposta já está dada. Ao centro, o P.S., entende que o sistema não deve ser misto e indica soluções para o equilíbrio financeiro como a redução do valor das reformas, o aumento da idade das reformas, e outras medidas como a diminuição do apoio prestado aos desempregados através do subsídio de desemprego. Poderão equilibrar as contas mas, mais uma vez, à custa do esforço de muitos portugueses que já não aguentam. O P.C.P. apresenta propostas que vão noutra direcção. Propomos a criação de uma nova contribuição para as empresas, que incidirá sobre o Valor Acrescentado Bruto, o que na prática significa que as empresas com maiores lucros iriam assumir parte do esforço para sanear as contas e a tributação de 0,25% sobre as transacções na Bolsa de Valores. A aplicação destas propostas levaria a que realmente todos pagassem a crise e que se moralizasse um pouco todo o sistema retributivo. Aumentaria a coesão nacional e aliviaria um pouco mais os bolsos dos portugueses que menos têm e por isso menos podem pagar. Este é um exemplo onde podemos mais uma vez observar que a ideologia não morreu. È um bom exemplo, porque entendemos perfeitamente que para se atingir um objectivo podemos recorrer a diversas formas e cada força política apresenta a sua. As cartas estão lançadas mas não existem derrotas nem vitórias garantidas. O caminho sugerido pelo P.S.D. e C.D.S. P.P. leva à destruição do nosso Sistema de Segurança Social. As soluções apontadas pelo P.S. aumentam os efeitos da crise nos bolsos da maioria dos portugueses. As propostas do P.C.P. distribuem os esforços por todos. A hora é de esclarecimento e luta política. No dia 12 de Outubro, milhares de portugueses, unidos e solidários, vão participar numa acção de protesto nacional contras as políticas seguidas por este governo. Eu sou português, vou lá estar.
Nuno Cavaco














