O MONTIJO está a crescer de uma forma sustentável com pensamento no futuroPor José Bastos
Por Jornal Rostos
Todos sabemos, mas às vezes não nos lembramos, que o bem estar de que desfrutamos no mundo ocidental depende de termos conseguido energias baratas, especialmente petróleo.
O petróleo, um fóssil com grande capacidade energética, que existia em grande quantidade na natureza e até 1973, ano do primeiro choque petrolífero, tinha um custo muito reduzido, apesar de hoje se falar muito de energias renováveis e uma grande percentagem de pessoas pensarem que é só uma questão de vontade política substituir as energias fósseis por outro tipo de energias, a verdade é que não é fácil substituir o petróleo e as reservas existentes estão a diminuir todos os dias o que é perigoso para a humanidade, por se tratar de um bem finito do qual temos uma grande dependência por termos toda a nossa vida organizada em consumo de bens que para serem produzidos necessitam de grandes quantidades de energia.
Tudo aquilo que consideramos progresso: alimentação em quantidade, máquinas industriais e agrícolas, iluminação, aquecimento, automóveis, aviões, roupas em grande quantidade para comprarmos novas todos os anos, boas estradas, cimento e ferro para construção de habitações, abastecimento de água às populações, elevação de esgotos, etc., dependem essencialmente do petróleo.
As reservas de petróleo no mundo cada vez são menores, os países em grande desenvolvimento, com especial realce para a China e a Índia consomem hoje grandes quantidades de petróleo e nós ficamos assustados com a subia dos preços, mas os bens que são raros são caros e o petróleo é um bem que embora ainda exista em quantidade está cada vez a ser mais raro em relação às quantidades que o mundo dele precisa para continuar a desenvolver-se.
A guerra no Iraque e os conflitos em todo o Médio Oriente podem provocar danos na produção de petróleo que afectam o mundo inteiro, por se tratar de uma região onde se encontram as maiores reservas do mundo. Já pensaram que de um momento para o outro pudemos ser confrontados com petróleo a 100 ou 200 dólares por barril.
Por tudo isto que está acontecer no mundo que entra pelas nossas casas através da televisão é fácil de perceber que nunca mais vamos ter energia barata. Isso já passou. A palavra de ordem agora é poupar se quisermos continuar com níveis elevados de bem estar.
Por sabermos tudo isto temos tentado adaptar a nossa cidade aos tempos futuros.
Aproveitámos dois programas de energia da União Europeia e substituímos todas as lâmpadas de iluminação pública do concelho que eram de vapor de mercúrio por lâmpadas de vapor de sódio e hoje apesar de termos a cidade a crescer todos os anos, gastamos menos energia e temos muito melhor iluminação pública. Aliás foi um investimento de sucesso que tornou a nossa cidade das mais bem iluminadas da Área Metropolitana de Lisboa.
O custo total da energia com substituição de lâmpadas de vapor de mercúrio por vapor de sódio origina uma poupança de 37% na iluminação pública.
Construímos ciclovias em volta da cidade para os munícipes poderem circular de bicicleta, faz bem à saúde e não consome petróleo.
Transformámos ruas onde circulavam veículos automóveis em espaços pedonais. Criámos parques de estacionamento suficientes para os munícipes deixarem os carros e fazerem a sua vida a pé na cidade.
Aprovámos um regulamento que obriga a que as novas construções tenham aproveitamento de energias renováveis.
Continuamos atentos ao que se está a passar no mundo em termos de energia e tudo faremos para sensibilizar os munícipes do nosso concelho para esta problemática. Gastar menos energia ajuda as finanças familiares e prepara as pessoas para o mundo que aí vem.
A agricultura do nosso concelho tem condições para produzir bens de qualidade essenciais para a nossa alimentação. Quando falamos no Plano Director Municipal só nos interessamos pelas zonas urbanizáveis porque são aquelas que de momento rendem muito dinheiro, mas é da maior importância que comecemos a dar atenção à nossa estratégia para consumirmos produtos agrícolas do concelho, pois com o aumento dos transportes os produtos agrícolas vindos de regiões longínquas não serão competitivos e temos que consumir aquilo que produzirmos nas nossas terras que terão um custo de transporte mais diminuto.
Com os melhores cumprimentos,
José Bastos














