O Elogio dos abraçosPor Mário Durval – Concelhia do BE Barreiro
O Bloco de Esquerda ficará eternamente grato a Carlos Humberto e ao PCP se conseguirem impedir essa queda pois, os braços do PS não serão suficientemente envolventes para que não seja traumática tal experiência.

Por Jornal Rostos
Mas, Carlos Humberto que não pense que se nos salvarmos do amplexo socialista iremos cair nos braços do PCP, pois não somos sensíveis a cantos de sereia.
O que Carlos Humberto ainda não compreendeu é a essência do BE, que é um partido com novas características e que abandonou as práticas da oposição de terra queimada, apoiando ou rejeitando políticas pela sua valia interna e não pela sua origem. Não estamos convencidos de sempre ter razão e em muitas matérias teremos muito que trabalhar para aprender. Criticamos o poder e a oposição por igual quando estamos convencidos que a nossa proposta é mais válida. Mas também apoiaremos o poder ou a oposição nas suas propostas políticas, desde que encontremos nelas valor suficiente e benefícios para a população. A política onde só há os nossos e os outros e os nossos têm sempre razão não fez escola no BE.
Infelizmente o PCP ainda não se libertou dessa visão sectária e o PS também não foge à regra. Não quer isto dizer que dentro de cada um dos partidos não existam militantes que não alimentam ódios de estimação e preferem discutir politicamente as grandes questões em vez de lançarem epítetos gratuitos sobre os adversários políticos.
As pessoas organizam-se em partidos diferentes porque têm diferentes visões do mundo. E isto é saudável. Termos a nossa família ideológica é uma opção que nos dá sentido de pertença e objectivos para lutar no dia a dia por causas que julgamos importantes. Por isso, naturalmente, existirão opiniões diferentes, algumas das quais irreconciliáveis, pois dirão respeito à defesa de interesses antagónicos que se excluem mutuamente. E daí não vem mal ao mundo, desde que o debate seja elevado e que se evitem as demagogias fáceis, que fogem à discussão da essência dos problemas. O importante é que se façam as propostas concretas e fiquem claras as várias opções. Assim ninguém cairia nos braços de ninguém. Só caem nos braços uns dos outros aqueles que defendem interesses pessoais e a todo o custo, querem manter benesses à mesa do orçamento…
Por tudo isto, Carlos, não vale a pena preocupares-te tanto com o BE. Gostamos de abraços fraternos, de luta por grandes objectivos e naturalmente não cairemos nos braços de ninguém pois isso implicaria o abandono dos nossos objectivos.
Por Mário Durval
– Concelhia do BE Barreiro














