A luta dos trabalhadoresPor João Leonel Marques de Almeida

Por Jornal Rostos
Hoje vemos os trabalhadores saírem para a rua, com a esperança de que seja possível defender os seus direitos. Dia após dia, ouvimos na rádio e vemos na televisão, ainda que camuflado, muitos e muitos trabalhadores a perderem os seus empregos. Mas, esta luta não é de hoje, desde que a ambição tomou conta do Homem, alguns homens têm tentado explorar muitos homens. A história protege os mais fracos, os explorados, que luta após luta, época após época, têm vencido as sucessivas batalhas.
A primeira democracia conhecida em todo o mundo, a Democracia Ateniense, elogiada ainda nos dias de hoje, onde os cidadãos reuniam e decidiam sobre o futuro de Atenas. No entanto, existiam muitos homens que não eram cidadãos, logo não podiam votar, ou eram escravos ou eram estrangeiros. Já as mulheres, independentemente do seu estatuto social, não podiam votar. Foram necessários muitos séculos para acabar com a escravatura e para que as mulheres tivessem direito à igualdade.
A exploração do Homem, pelo Homem, tem que ser analisada num contexto amplo, em que sejam vistos os pressupostos desta atitude. A ambição desmedida, a ideia que quanto maior a riqueza, mais feliz o Homem é, têm conduzido a desgraças invencíveis e a momentos muito dolorosos da história do Homem. Esta ambição conduziu a humanidade ao capitalismo, que ao longo da história tem conduzido o mundo para inúmeras guerras e muita fome. É possível transformar a ambição de explorar, a ambição de ser cada vez mais rico, em ambição de crescer, em ambição de se ter um dia melhor, em ambição de acabar com os pobres, em ambição de sermos felizes.
Assistimos nos dias de hoje ao despedimento de trabalhadores, quer seja na agricultura, indústria ou serviços e um pouco por todo o mundo. Ouvimos na rádio e vemos na televisão aos despedimentos, mas também assistimos in loco na nossa terra, na nossa rua e até nas nossas casas ao flagelo dos desempregados. Em Portugal estamos a viver um momento de grande dificuldade para os mais fracos, os explorados, aqueles que não podem fugir dos despedimentos, da fome e da miséria. Em Portugal, como em todo o mundo, milhares de trabalhadores já perderam os seus empregos e vêem hipotecados os seus projectos de vida. Contudo, é possível inverter este cenário, com a construção de uma sociedade justa, onde haja igualdade, liberdade e solidariedade. Avançar no caminho do capitalismo, tal como vem sendo feito, conduzirá o mundo para o abismo.
Em Portugal, para além dos que já perderam os seus empregos, a grande generalidade dos trabalhadores está descontente. Este descontentamento tem razão de ser, porque o custo de vida está sempre a subir e os salários não acompanham o crescimento dos preços, efectivamente há uma real perda do poder de compra. Também os reformados estão a sofrer o mesmo problema da população activa, perdendo a cada instante poder de compra. O governo apenas se preocupa com o equilíbrio das contas públicas, ainda que esse equilíbrio seja feito à custa dos que menos têm, nunca colocando em causa os interesses dos grandes grupos económicos.
O descontentamento dos trabalhadores, dos reformados, dos jovens vem-se manifestando através de acções de luta, mostrando ao governo que é preciso arrepiar caminho, que o povo está cansado de ser sempre ele a pagar a crise. Exemplo das acções de luta que têm acontecido é a grandiosa jornada de luta que aconteceu no passado dia 12 de Outubro, em que cerca de cem mil trabalhadores, reformados e jovens desfilaram em Lisboa, criticando a política do governo, políticas neo-liberais que protegem o grande capital e prejudicam os que menos têm. Nesta grande manifestação os trabalhadores, os reformados e os jovens mostraram ao governo que o caminho que está a seguir é errado e que deve mudar de políticas. Mas, o governo mostrou-se pouco sensível aos problemas dos manifestantes. Assim sendo, os trabalhadores, os reformados e os jovens continuam em luta.
No dia 25 de Novembro de 2006 os trabalhadores, os reformados e os jovens estarão mais uma vez em luta, por todo o país existirão manifestações, por todo o país as populações vão mostrar o seu descontentamento pelas políticas neo-liberais do governo. Estas manifestações têm como objectivo sensibilizar o governo para os problemas que os mais pobres sofrem, tem ainda por objectivo a defesa dos direitos que Abril fez nascer e a defesa de uma pátria mais solidária. Aos governantes fica o apelo para que possam repensar as suas políticas e dizer-lhes que ao longo da história, os mais fracos, os explorados paulatinamente têm vencido todas as batalhas.
João Leonel Marques de Almeida














