“Crime e castigo”Por Paulo Calhau
Por Jornal Rostos
Luísa Mesquita, parlamentar que integrava as comissões de Educação, Ciência e Cultura e Negócios Estrangeiros, recusou a renúncia ao mandato e, como tal, sofreu de imediato as previsíveis consequências da ortodoxia estalinista.
Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, afirmou aos jornalistas que a atitude de Luísa Mesquita é uma “contradição insanável”, e lembrou que os deputados comunistas assinam um compromisso que prevê e exige “disponibilizar o mandato em conformidade com os interesse do partido e do grupo parlamentar”.
Não se compreende a reacção e o desalento de Luisa Mesquita, que revoltada e supostamente injustiçada pela atitude da direcção do partido, cuja ideologia e praxis tão acerrimamente defendeu em sucessivos mandatos parlamentares, vem agora mostrar “abalo e mágoa”.
De forma absurda e leviana, Luísa Mesquita referiu ao diário PÚBLICO que “não é aos 57 anos que se regressa à carreira académica”.
Espero que a baixa médica que entretanto apresentou na Assembleia da República lhe proporcione a reorganização do projecto pessoal e profissional por que anseia.
Mas desejo que da sua desilusão e desnorte não resulte qualquer apressada conversão ao socialismo democrático que tantas vezes invectivou.
Ninguém lhe daria crédito...
Paulo Calhau














