Bolseiros!Por Luis Pedro Gonçalves
A verdade é que com a atribuição de uma bolsa não são asseguradas muitas das regalias que são asseguradas à generalidade dos empregados por conta de outrem.

Por Jornal Rostos
É habitual, diria mesmo que é coloquial dizer se que é preciso investir mais na investigação cientifica.
É também habitual que se saúde o aumento de postos de trabalho nestas áreas, mas geralmente não temos bem consciência de que tipo de postos de trabalho estamos a falar.
De facto, a maior força de trabalho ou “mão de obra” de muitos projectos consiste em bolseiros e nem sempre estes são particularmente bem tratados.
Ora para continuar este raciocínio é importante distinguir os diferentes tipos de bolsas existentes:
- Bolsas de Iniciação à Investigação Cientifica (BI ou BIIC) – tipicamente atribuídas a alunos de licenciatura acabam por servir para incentivar e dar experiência futuros investigadores
- Bolsas de Mestrado e de Doutoramento – atribuídas a alunos que tentam obter estes graus, sendo que se tenta um dois em um patrocinando o investigador e o projecto sobre o qual será realizada a tese que se pretende já a um bom nível
- Bolsas de pós-Doutoramento – atribuídas a pós doutorados para (continuarem) a fazer investigação
Ora, se quanto a mim as bolsas de iniciação, mestrado ou doutoramento não me levantam demasiadas questões (eventualmente sobre a justiça das remunerações), tal não se verifica para as bolsas de pós-doutoramento.
De facto, numa altura em que se pode dizer que o profissional está formado, ou pelo menos que dali em diante pode fazer a uso dos conhecimentos adquiridos sozinho, deveríamos assegurar lhe uma bolsa ou um emprego?
A verdade é que com a atribuição de uma bolsa não são asseguradas muitas das regalias que são asseguradas à generalidade dos empregados por conta de outrem.
De facto, não é por exemplo garantido o direito a férias e o pagamento do ordenado será diferente, uma vez que é feito a 12 meses em vez dos habituais 14.
Outra questão importante tem a ver com a segurança social. Na realidade, os bolseiros não estão inseridos no sistema da segurança social habitual, e para terem direito a algo semelhante têm a de fazer um seguro especifico, que por exemplo não prevê qualquer indemnização ou subsidio de desemprego no caso de ficar sem trabalho (se cessar ou terminar a bolsa) e que em caso de baixa médica, garante o pagamento de uma percentagem do ordenado... mas em relação ao ordenado mínimo nacional e não ao do bolseiro na sua actividade.
Além disso, a realização deste seguro é opcional pelo que terão de ser aos bolseiros a pagá-lo e reclamar o reembolso junto da entidade empregadora, sendo que devido à natureza dos projectos (tipicamente com os tostões contados) nem sempre estas têm a capacidade de o realizar.
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Poder-se-ia pensar que a esta tendência é mais acentuada em laboratórios menos conceituados, ou que a decisão de “ser bolseiro” se trata de uma opção de vida de pessoas que preferem viver desta forma, mas na generalidade não é o caso.
A verdade é que para um(a) pós-doutorado(a) o problema de arranjar emprego coloca se muitas vezes devido ao excesso de qualificações, sendo as oportunidades de emprego escassas. Aliás tal foi algo visível com o cancelamento da feira de emprego organizada pela ABIC (Associação de Bolseiros de Investigação Cientifica) a uns dias.
A solução poderia passar por uma a carreira de docente, no entanto, mesmo esse nível acaba por haver algum vazio e consequente aproveitamento, sendo que há (conceituadas) instituições em que as aulas são já asseguradas por bolseiros, a que é pedido para auxiliarem as tarefas de docência, sem que no entanto lhes seja atribuída nenhuma remuneração adicional e principalmente, sem que essa tarefa lhes seja reconhecida e tida em conta para futuros concursos para os quadros.
Se calhar já esta na altura de começarmos a tratar melhor os nossos investigadores...
Luis Pedro Gonçalves
(Estudante Universitário)














