A leitura de “CONFISSÕES”…Por Paulo Calhau

Por Jornal Rostos
Confesso que nunca morri de amores pelo conteúdo das suas análises “POLÍTICA À PORTUGUESA”, muito embora o estilo linear e pedagógico, pouco palavroso e adjectivante da sua prosa, me estimulem e agradem particularmente.
Vejo José António Saraiva como um homem sério e rigoroso, pouco dado à pequena política, ao diletantismo e à hipocrisia.
Mas, paradoxalmente, revela-se com demasiada frequência um personagem excessivamente vaidoso e arrogante.
Conservador em muitas das matérias mais fracturantes da sociedade portuguesa, granjeou ao longo dos 22 anos em que desempenhou o cargo de director do jornal fundado por Francisco Pinto Balsemão, um vasto leque de adversários e inimigos.
José António Saraiva parece conviver bem com o seu estilo frontal mas impiedoso, a sua imensa auto-estima e a sua elevada soberba.
Ao longo de 414 páginas muito interessantes e que se lêem quase que de um só fôlego, são muitas as personalidades, dos meios político e jornalístico, a que José António Saraiva se refere em “CONFISSÕES”.
De muitas delas revela apreciações e inconfidências perfeitamente desnecessárias e de desmesurado mau gosto. De algumas receberá a respectiva resposta. Miguel Sousa Tavares não perdeu pela demora. Outras se seguirão...
PS: Apreciei muito a leitura de “JARDIM COLONIAL”, segundo romance de José António Saraiva. Excelente romance de amor. Não chegará para se constituir candidato a Nobel, uma vontade confessada pelo autor, mas que gostei… gostei.
BOM NATAL e FELIZ 2007!
BICOdePENA, 23 de Dezembro de 2006
(paulocalhau@netcabo.pt)














