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Quotidianos

Uma mão cheia de nada, e outra de coisa nenhumaPor Maria José Marques
– Deputada Municipal do BE

Confesso que jamais esperaria ouvir do Sr. Presidente Carlos Humberto um discurso com o qual a CDU não concorda quando se trata da governação do país, mas que aplica da mesma forma, e com as mesmas regras, quando se trata dos destinos da Autarquia.

Vem isto a propósito de uma, entre várias afirmações feitas pelo autarca, dirigindo-se aos deputados da Oposição, que passo a citar:
-"Srs. Deputados, afinal querem reduzir as receitas (entenda-se taxa do IMI) ou querem mais despesa para a área social?"

3 min de leitura

Por Jornal Rostos

No decurso da última Assembleia Municipal, ao ouvir atentamente o presidente da edilidade, estabeleci, numa fracção de segundo, um paralelo com o discurso do ex-ministro das finanças Bagão Félix, numa conferência de imprensa onde defendia que o seu orçamento era o possível, e que, se alguém achava que não estava bem, então viesse fazer melhor.
Mas, poucos segundos volvidos, novo termo de comparação surgiu, desta feita com a ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite, dizendo que o mais importante era o controle do défice.

E, à medida que o discurso progredia, a similitude com as afirmações do primeiro ministro José Sócrates acentuavam-se, sobretudo na obsessão da pesada herança e dos famigerados 6,8% que legitimaram os ataques selvagens e injustificados à maioria dos trabalhadores deste país.
Mas afinal a que se teria devido tal comparação?

Confesso que jamais esperaria ouvir do Sr. Presidente Carlos Humberto um discurso com o qual a CDU não concorda quando se trata da governação do país, mas que aplica da mesma forma, e com as mesmas regras, quando se trata dos destinos da Autarquia.
Vem isto a propósito de uma, entre várias afirmações feitas pelo autarca, dirigindo-se aos deputados da Oposição, que passo a citar:
-"Srs. Deputados, afinal querem reduzir as receitas (entenda-se taxa do IMI) ou querem
mais despesa para a área social?"
Ficou claro, para mim, que também no Barreiro a economia prevaleceu sobre a política, matando qualquer esperança de deixarmos de ser reféns do célebre discurso da tanga.

Senão vejamos: a CDU no seu compromisso eleitoral (e foi com esse e não outro que mereceu a confiança e a fé dos Barreirenses) propunha-se a:

-Apoiar as Cooperativas ou entidades promotoras de habitação social
-Intervir em edifícios devolutos especialmente no Barreiro Velho e Bairro das Palmeiras
-Recuperar a habitação social
-Elaborar um plano Municipal de apoio às famílias carenciadas apoiando os estudos dos mais jovens.
-Desenvolver os serviços de saúde ocupacional, medicina preventiva e serviços sociais de apoio aos trabalhadores.
-Criar postos públicos de apoio à Internet
-Criar uma Biblioteca Digital on-line e uma Galeria de exposições virtuais para disponibilização de obras de artistas locais.
-Concluir o Plano Estratégico MUDA Barreiro
-Promover acções de protecção e despoluição do Sapal de Coina.

Quando questionado sobre o suporte financeiro no Orçamento 2007 para os compromissos assumidos, o Sr. Presidente aos costumes disse nada, limitando-se a proferir as afirmações que acima referi.

E se tal procedimento já foi suficiente para matar alguma vaga esperança de podermos mudar o rumo dos acontecimentos, pior foi quando alguns deputados da maioria afirmaram que estes compromissos não faziam parte do programa da CDU. Algo vai mal no reino de sua majestade. Bem sei que já foi consumido 25% do tempo da gestão CDU, mas não me parece que seja assim tanto para que se desculpabilize tal lapso de memória

Maria José Marques
– Deputada Municipal do BE

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