A Paz como caminhoPor Nuno Miguel Fialho Cavaco

Por Jornal Rostos
“Não existe um caminho para a paz
A paz é o caminho”
Mahatma Ghandi
A actual fase do sistema capitalista, o imperialismo, sustentada pela intensificação dos fluxos comerciais e financeiros leva à deslocalização de actividades, mesmo as de alta tecnologia, para países onde a “rentabilidade” é maior. Esta deslocalização dos meios de produção implica espaços de ensino, de formação e investigação que a suportem, conduzindo à formação de uma força de trabalho flexível, sem direitos e segurança social, designada de uma forma simpática como móvel. Na Europa, o capitalismo desenvolveu o processo de Bolonha, mas estes espaços estão a surgir em todos os continentes, com o mesmo propósito, a criação da tal força de trabalho sem direitos e móvel.
O imperialismo é desumano e quando não consegue o alastramento recorre à força para conseguir alimentar o sistema, quer de recursos humanos, quer de recursos físicos. Se esfolharmos as páginas da história recente podemos constatar que a Guerra dos Balcãs foi feita para permitir o alargamento da “Nova Europa”. No Médio Oriente e Ásia Central, com as invasões do Iraque e do Afeganistão de modo a possibilitar o controlo geoestratégico, “angariando” assim recursos físicos. Alguns argumentam que a ocupação destes países foi necessária ao que se pode contrapor, e então os países não democráticos vassalos do imperialismo, esses não são democratizados pela força das armas? Por outro lado, a democracia não se consegue com a ocupação e pilhagem de recursos.
O direito ao trabalho com direitos e à segurança social estão associados à paz e a um clima de estabilidade e estes estão a ser postos em causa pelo sistema de produção capitalista que se exerce através da guerra, exploração e violência. Basta pensarmos nas Guerras para termos a certeza que estas geram fome e injustiça, que são aproveitadas por uns poucos para acumularem riqueza e poder. A Guerra não conduz à resolução de qualquer problema da humanidade como o imperialismo apregoa, é a paz que conduz ao progresso dos povos.
A paz é o caminho para o bem estar e é também a única via para a realização do ser humano e como tal, o imperialismo e as suas relações de produção, assentes num contexto de uma sociedade do medo derivada de um clima de guerra permanente, com novos conceitos, como guerra preventiva e guerra antiterrorista, não conduzem a humanidade a um estádio evolutivo mais consciente e realizador e sim a uma regressão social.
A luta contra o imperialismo assume-se como a luta pela paz e pelo homem. Mesmo que a globalização capitalista conseguisse o controlo do mundo e o sistema assim se tornasse estável, com o consumo exagerado de recursos e a sua consequente diminuição, a guerra era inevitável, a guerra por recursos e por domínio, e por isso a paz é o caminho e não a guerra ou a subordinação.
Nuno Miguel Fialho Cavaco
Membro da Concelhia da Moita
do Partido Comunista Português














